As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram o pregão desta quarta-feira (26) com variações modestas, em um dia marcado pela deflação no Brasil e por dados de inflação dos Estados Unidos. O DI para janeiro de 2028 terminou em 13,815%, praticamente estável ante o ajuste de 13,813% da sessão anterior, enquanto o contrato para janeiro de 2035 caiu para 14,44%, ante 14,459%.

Mercado reduziu a reação positiva ao IPCA-15

O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, caiu 0,40% em agosto, depois de subir 0,06% em julho. O resultado mostrou uma deflação maior que a queda de 0,30% esperada pelo mercado e, inicialmente, levou os juros futuros para baixo.

O DI para janeiro de 2028 chegou a marcar 13,735% às 9h, recuo de 8 pontos-base, medida equivalente a 0,08 ponto percentual. Mais tarde, porém, a taxa atingiu 13,865%, alta de 5 pontos-base em relação ao ajuste anterior, antes de terminar próxima da estabilidade.

A reversão ocorreu porque a composição do índice não foi tão favorável quanto o número cheio. Para Flavio Serrano, economista-chefe do Bmg, o mercado reagiu à surpresa da deflação, mas voltou a elevar as taxas ao observar que os serviços subjacentes vieram até um pouco piores que o esperado.

Serviços continuam como ponto de atenção

Os serviços subjacentes, que excluem alguns itens mais voláteis e ajudam a medir a persistência da inflação, aceleraram de 0,30% em julho para 0,50% em agosto, segundo cálculo do Bmg. Os serviços intensivos em mão de obra passaram de 0,48% para 0,55%, enquanto os serviços em geral desaceleraram de 0,41% para 0,07%.

A média dos núcleos acompanhados pelo Banco Central subiu de 0,20% em julho para 0,22% em agosto. Em sentido positivo, a alimentação no domicílio registrou deflação de 0,97% em agosto, após queda de 1,14% em julho.

Leonardo Costa, economista do ASA, classificou o balanço qualitativo do IPCA-15 como benigno no curto prazo. Ele destacou que os núcleos vieram melhores que o esperado, embora tenha reconhecido a aceleração marginal dos serviços subjacentes, cuja média móvel trimestral anualizada estava em torno de 4,6%.

Inflação mais firme nos EUA pressionou os Treasuries

No exterior, o índice de preços de gastos com consumo pessoal, o PCE, subiu 0,2% em julho, após recuar 0,1% em junho. Em 12 meses, a alta ficou em 3,7%, repetindo o resultado de junho e superando a previsão de 3,6%. O núcleo do indicador também avançou 0,2%, em linha com as expectativas.

O PIB americano cresceu 1,5% no segundo trimestre, conforme o esperado. Os dados ajudaram a elevar o rendimento do Treasury de dez anos, referência para os mercados globais: por volta das 16h32, a taxa subia 2 pontos-base, a 4,66%.

Quando os títulos americanos pagam mais, investimentos em outros países precisam oferecer remuneração maior para continuar atrativos. Esse movimento contribuiu para limitar a queda dos juros futuros brasileiros, mesmo diante da deflação do IPCA-15.

Dívida pública terá mais títulos ligados à Selic

O Tesouro Nacional informou que a dívida pública federal subiu 0,22% em julho, na comparação com junho, para R$ 9,289 trilhões. A instituição também alterou suas projeções para a composição da dívida neste ano.

A participação esperada dos títulos ligados à Selic passou da faixa de 46% a 50% para 49% a 53%. Já os papéis indexados à inflação recuaram de 23% a 27% para 21% a 25%, enquanto os prefixados passaram de 21% a 25% para 20% a 24%.

Segundo o Tesouro, a volatilidade no cenário doméstico e internacional, incluindo as incertezas relacionadas à guerra no Oriente Médio, dificulta a emissão de títulos mais longos e prefixados.

O que a estabilidade dos DIs indica daqui para frente

Os DIs refletem as expectativas para os juros entre diferentes datas. Quando suas taxas sobem, o mercado passa a exigir uma remuneração maior para emprestar dinheiro no futuro, o que tende a encarecer financiamentos e pressionar empresas e ativos de risco. A estabilidade desta quarta-feira mostra que o IPCA-15, apesar da deflação, não mudou substancialmente essa avaliação.

Para quem investe, a renda fixa pós-fixada continua diretamente beneficiada por juros elevados, enquanto títulos prefixados e atrelados à inflação oscilam conforme mudam as expectativas de mercado. Para consumidores e empresas, a manutenção das taxas em patamar alto significa que o crédito permanece caro. O próximo foco será a evolução dos serviços e dos núcleos de inflação, além dos dados internacionais que influenciam os juros brasileiros.

Impacto para a sociedade

A deflação medida pelo IPCA-15 pode aliviar o custo de alguns produtos no curto prazo, mas a pressão dos serviços ainda preocupa porque afeta despesas recorrentes das famílias. A estabilidade dos juros futuros também indica que o mercado não alterou de forma relevante suas expectativas para a Selic, mantendo elevados os custos de crédito e financiamento.