O DIGY11 deve começar a ser negociado na B3 no início de setembro de 2026, oferecendo ao investidor a possibilidade de receber distribuições mensais em reais ligadas ao mercado de Bitcoin, mas sem comprar diretamente a criptomoeda. O ETF investirá em ações preferenciais de empresas que mantêm grandes reservas de Bitcoin, uma estrutura que combina exposição indireta ao ativo digital com geração de renda.

Como o ETF pretende gerar renda mensal

Idealizado pela OranjeBTC, com gestão da 3R Investimentos, o fundo seguirá o índice MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity BRL Hedged. A carteira inicial será formada por papéis preferenciais da Strategy e da Strive, companhias cuja estratégia financeira está fortemente associada à manutenção de reservas de Bitcoin.

A composição prevista é concentrada: cerca de 95% no STRC, da Strategy, e 5% no SATA, da Strive. Esses ativos foram estruturados para oferecer remuneração recorrente aos investidores, em vez de priorizar o direito de voto, como ocorre normalmente com ações ordinárias.

Dividendos dos ativos serão repassados aos cotistas

O mecanismo de renda começa nos dividendos pagos pelas ações preferenciais. Registros enviados à SEC indicavam que o STRC vinha pagando uma taxa anualizada de 11,5% em 2026, enquanto o SATA mantinha uma taxa anual de 13%. Esses pagamentos, originalmente recebidos em dólar, ajudam a financiar as distribuições periódicas do DIGY11 em reais.

A gestora trabalha com uma estimativa ilustrativa de retorno equivalente ao CDI mais 3 a 5 pontos percentuais ao ano, já considerando custos relacionados à proteção cambial e à estrutura do ETF. A projeção não é uma promessa de rentabilidade nem garante que os dividendos ou as distribuições mensais permanecerão nos mesmos níveis.

DIGY11 não acompanha diretamente a cotação do Bitcoin

Um ETF tradicional de Bitcoin busca reproduzir de forma mais direta as oscilações da criptomoeda. No DIGY11, o desempenho dependerá do preço das ações preferenciais, da situação financeira das empresas emissoras e da capacidade de elas manterem seus pagamentos, além do comportamento do próprio Bitcoin.

Por isso, o produto é um ETF de renda variável, e não uma aplicação de renda fixa. Mesmo com o objetivo de distribuir renda todos os meses, as cotas poderão oscilar durante o pregão. A concentração em STRC também amplia o impacto de eventuais problemas específicos da Strategy ou de mudanças na remuneração do papel.

Proteção cambial reduz o efeito do dólar sobre o resultado

Como os ativos da carteira são negociados nos Estados Unidos e as cotas do DIGY11 serão compradas em reais, o fundo terá hedge cambial. Esse mecanismo busca reduzir a influência das variações do dólar sobre o resultado convertido para a moeda brasileira.

A proteção, porém, não elimina os demais riscos. O Bitcoin e o caixa mantidos por Strategy e Strive pertencem às próprias companhias e não ficam separados como garantia dos pagamentos aos cotistas. Além disso, alterações na política de dividendos ou no valor de mercado das ações preferenciais podem afetar o ETF.

O que observar antes da estreia na B3

A data exata de início das negociações ainda não foi divulgada, mas a previsão é de estreia no começo de setembro. Depois do lançamento, as cotas deverão ter liquidez diária, permitindo compra e venda durante o pregão, como ocorre com outros ETFs listados na Bolsa.

Para quem acompanha o produto, os principais pontos serão a composição efetiva da carteira, a manutenção dos dividendos das empresas, o custo do hedge e a oscilação das cotas. A proposta oferece uma forma indireta de acessar companhias ligadas ao Bitcoin com potencial de renda em reais, mas sem transformar essa distribuição em pagamento garantido ou eliminar o risco típico da renda variável.