A taxa de desemprego caiu para 5,4% no segundo trimestre de 2026, com recuo em 13 estados, enquanto 1,1 milhão de pessoas procuravam trabalho havia pelo menos dois anos. O contingente de desempregados de longa duração diminuiu 15,6% em relação ao mesmo trimestre de 2025, quando somava 1,3 milhão. Os dados fazem parte da Pnad Contínua Trimestral, divulgada pelo IBGE, e mostram uma melhora do mercado de trabalho, mas ainda com desigualdades importantes.
Santa Catarina teve a menor taxa, e Amapá, a maior
As maiores taxas de desocupação foram registradas no Amapá, com 9,8%, na Bahia, com 9,1%, em Pernambuco e no Piauí, ambos com 8,3%, e em Sergipe, com 7,9%. Na outra ponta, Santa Catarina apresentou o menor índice, de 2,1%, seguida por Mato Grosso, com 2,2%, Espírito Santo, com 2,3%, Rondônia, com 2,6%, e Mato Grosso do Sul, com 2,7%.
As quedas mais intensas ocorreram no Rio Grande do Norte, de 1,9 ponto percentual, e na Paraíba e no Acre, ambos com recuo de 1,6 ponto percentual. Os demais estados não tiveram variação considerada significativa no período. A diferença entre as regiões está associada a fatores como industrialização, escolaridade e ritmo da atividade econômica, que influenciam a quantidade e a qualidade das vagas disponíveis.
Mulheres e trabalhadores negros seguem mais expostos
Apesar da redução em relação ao primeiro trimestre, o desemprego continuou maior entre as mulheres, com taxa de 6,4%, do que entre os homens, com 4,6%. A diferença mostra que a melhora do indicador nacional não eliminou a desigualdade de acesso ao trabalho.
Por cor ou raça, a taxa ficou em 4,2% entre trabalhadores brancos, abaixo da média do país. Entre pretos, alcançou 6,9%, e entre pardos, 6,1%. A escolaridade também fez diferença: o maior índice foi observado entre pessoas com ensino médio incompleto, em 9,0%, contra 3,0% entre aquelas com ensino superior completo.
Desemprego de longa duração recua, mas ainda afeta milhões
Além dos 1,1 milhão de trabalhadores que buscavam uma vaga há dois anos ou mais, havia outro 1,1 milhão procurando emprego há menos de um mês. Esse segundo grupo diminuiu 2,4% na comparação anual, ante 1,2 milhão no segundo trimestre de 2025.
A taxa composta de subutilização, que inclui desempregados, pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e aquelas disponíveis para trabalhar, mas que não procuraram emprego, ficou em 12,9%. Piauí liderou, com 26,6%, seguido por Bahia, com 24,4%, e Alagoas, com 23,4%. O menor nível foi o de Santa Catarina, com 4,1%.
Formalidade varia muito entre os estados
No setor privado, 74,4% dos empregados tinham carteira assinada. Santa Catarina registrou a maior proporção, de 86,7%, seguida por São Paulo, com 82,0%, e Mato Grosso do Sul, com 81,0%. Maranhão, com 53,6%, Piauí, com 54,2%, e Acre, com 55,1%, ficaram nas últimas posições.
A taxa de informalidade nacional foi de 37,4% da população ocupada. O indicador chegou a 56,9% no Maranhão, 55,9% no Pará e 51,7% no Amazonas, enquanto Santa Catarina teve 25,4%, o menor percentual entre os estados. A informalidade costuma significar menor proteção trabalhista e maior instabilidade de renda.
O que os dados indicam para trabalhadores e investidores
Para quem trabalha, a queda do desemprego aumenta a possibilidade de geração de renda, mas o tempo prolongado de procura ainda é um sinal de dificuldade para uma parcela expressiva da população. Para quem consome, mais pessoas ocupadas tendem a sustentar as compras das famílias, embora a informalidade e a subutilização limitem esse efeito.
Para os investidores, os números reforçam a leitura de um mercado de trabalho mais aquecido, mas heterogêneo. A evolução do emprego influencia renda, consumo e atividade econômica; nos próximos levantamentos, a atenção estará voltada à continuidade da queda do desemprego e à capacidade de transformar essa melhora em vagas formais e mais estáveis.
Impacto para a sociedade
A queda do desemprego indica que mais pessoas conseguiram encontrar trabalho, o que pode sustentar a renda das famílias e o consumo. Ainda assim, a permanência de 1,1 milhão de pessoas procurando emprego há pelo menos dois anos mostra que parte dos trabalhadores continua enfrentando dificuldades para voltar ao mercado. As diferenças entre estados, gênero, raça e escolaridade também revelam que a melhora não ocorre de forma igual para todos.
