O Brasil registrou déficit em conta corrente de US$ 5,055 bilhões em agosto, acima dos US$ 4,9 bilhões esperados por especialistas. O resultado mostra que as despesas e transferências do país com o exterior superaram as receitas no mês. Em 12 meses, o saldo negativo acumulado correspondeu a 2,47% do Produto Interno Bruto (PIB).

Saldo negativo aumentou na comparação anual

Em agosto de 2025, o déficit em transações correntes havia sido de US$ 3,776 bilhões. Assim, o resultado deste ano foi US$ 1,279 bilhão maior, uma alta de cerca de 34% na comparação entre os mesmos meses. A diferença em relação à previsão para agosto de 2026 foi menor: o saldo negativo ficou US$ 155 milhões acima da estimativa.

A conta corrente reúne diferentes transações entre o Brasil e outros países. Entram nesse cálculo, entre outros itens, o comércio de bens, serviços prestados ou contratados no exterior e pagamentos e recebimentos de rendas. Por isso, o déficit não é sinônimo apenas de importações maiores que exportações: o saldo de cada componente contribui para o resultado final.

Déficit de renda primária cresceu

Um dos componentes que pesaram no resultado foi a conta de renda primária, que registrou déficit de US$ 6,954 bilhões em agosto. No mesmo mês de 2025, o saldo negativo havia sido de US$ 5,407 bilhões. A diferença de US$ 1,547 bilhão representa aumento de aproximadamente 29% no déficit em um ano.

Essa conta registra rendas relacionadas a investimentos e outros pagamentos entre residentes no Brasil e no exterior. Quando as saídas superam as entradas, o saldo fica negativo e contribui para ampliar o déficit em conta corrente. Os dados divulgados não detalham quanto do resultado veio de cada tipo de pagamento, mas a comparação anual mostra que o saldo da renda primária foi mais desfavorável neste agosto.

Comércio teve superávit, mas serviços ficaram no vermelho

A balança comercial de bens teve superávit de US$ 6,622 bilhões no mês, acima dos US$ 5,311 bilhões registrados em agosto do ano passado. O aumento foi de US$ 1,311 bilhão, ou cerca de 25%. Esse saldo positivo ajuda a compensar déficits em outras partes das contas externas, mas não determina sozinho o resultado total.

Na conta de serviços, o déficit chegou a US$ 5,251 bilhões, ante US$ 4,095 bilhões um ano antes — alta de aproximadamente 28%. Serviços incluem transações como viagens e transportes. Com o saldo negativo maior nessa conta e na renda primária, o superávit comercial não foi suficiente para impedir que o déficit total superasse o de agosto de 2025.

Investimento direto superou a expectativa do mercado

Os investimentos diretos no país somaram US$ 7,396 bilhões em agosto. O valor superou os US$ 6,9 bilhões projetados e ficou cerca de 7% acima da estimativa. Ainda assim, foi inferior aos US$ 7,659 bilhões de agosto de 2025, uma queda de aproximadamente 3% na comparação anual.

Esse fluxo é acompanhado porque representa recursos ligados a investimentos de longo prazo no país e pode ajudar a financiar o déficit externo. Os números, porém, mostram medidas diferentes: o investimento direto foi uma entrada de recursos, enquanto o saldo em conta corrente reúne receitas e despesas de várias transações com o exterior. Para quem acompanha a economia, o próximo passo é observar se os déficits de renda e serviços persistem e como os investimentos diretos evoluem nos meses seguintes; um único resultado mensal não define essa trajetória.