Ray Dalio recomendou que investidores reduzam a exposição a títulos de dívida e destinem entre 10% e 15% do portfólio ao ouro, além de manter uma pequena parcela em Bitcoin, diante do risco de uma crise fiscal nos Estados Unidos. O fundador da Bridgewater Associates afirmou que esse problema pode se manifestar em cerca de três anos, com margem de dois anos para mais ou para menos.
Por que Dalio vê risco crescente na dívida americana
O alerta está relacionado ao desequilíbrio entre as contas do governo dos Estados Unidos. Dalio estima que a arrecadação federal somará cerca de US$ 5,5 trilhões em 2026, enquanto as despesas chegarão a US$ 7,5 trilhões. A diferença, de aproximadamente US$ 2 trilhões, representa um déficit equivalente a cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo sua avaliação.
O custo para financiar essa dívida também aumentou. Os juros pagos pelo governo devem alcançar aproximadamente US$ 1 trilhão neste ano, enquanto cerca de US$ 10 trilhões em títulos precisarão ser refinanciados. Isso significa substituir dívidas que vencem por novas emissões, potencialmente a taxas maiores caso os investidores exijam uma remuneração mais alta.
Como a crise de financiamento pode afetar os ativos
Na avaliação de Dalio, o problema surge quando o volume de títulos colocados no mercado cresce mais rapidamente que a disposição dos investidores em comprá-los. Para atrair demanda, o governo pode ser obrigado a oferecer juros mais altos, o que encarece o serviço da dívida e pressiona ainda mais o orçamento.
Outra possibilidade seria o banco central comprar títulos públicos em grande escala, aumentando a quantidade de dinheiro em circulação. Esse processo pode enfraquecer a moeda e alimentar a inflação. É nesse cenário que Dalio considera que ativos não emitidos por governos, como ouro e Bitcoin, poderiam apresentar desempenho relativamente melhor.
Por que o investidor deveria reduzir títulos, segundo Dalio
Os títulos do Tesouro americano são tradicionalmente considerados ativos de menor risco de crédito, mas seus preços podem cair quando os juros de mercado sobem. Como consequência, investidores que precisam vender esses papéis antes do vencimento podem registrar perdas, enquanto novas emissões passam a oferecer remuneração maior.
Dalio defende uma carteira diversificada entre diferentes classes de ativos e países com finanças sólidas. Sua sugestão não é abandonar completamente os títulos, mas manter uma posição menor, combinada com ouro e “um pouco” de Bitcoin. A proposta reflete uma proteção contra inflação, desvalorização monetária e deterioração das contas públicas, embora esses ativos também estejam sujeitos a oscilações.
Mercado já reage à pressão sobre os Treasuries
O alerta ocorre enquanto os rendimentos dos Treasuries de longo prazo atingem os níveis mais altos em vários anos. Quando o rendimento sobe, o preço dos títulos já emitidos tende a cair, sinalizando que o mercado exige maior retorno para financiar o governo americano.
O Japão, maior credor estrangeiro dos Estados Unidos, vendeu títulos americanos para apoiar o iene. Para tentar conter a liquidação dos papéis de prazo mais longo, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou planos de ampliar as recompras desses títulos. Até agora, a medida produziu apenas sustentação temporária no mercado.
O que vem a seguir para investidores e governos
Dalio também apontou pressões fiscais em países como Reino Unido, China e Japão. Para os Estados Unidos, ele defende reduzir o déficit para 3% do PIB, ante os cerca de 6% atuais, por meio de cortes de gastos, aumento de receitas e redução das taxas de juros.
O ouro avançou em 21 de agosto para o maior nível desde maio, enquanto o Bitcoin superou US$ 77 mil e caminhava para registrar sua melhor alta semanal desde 2023. Esses movimentos mostram a busca por alternativas, mas não eliminam o risco de volatilidade. Para quem investe, o episódio reforça a importância de acompanhar juros, inflação, câmbio e sustentabilidade das contas públicas antes de avaliar os efeitos sobre cada classe de ativo.
