As ações da Cury (CURY3) recuaram nesta quarta-feira (12), após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, apesar de os analistas avaliarem que os resultados ficaram, em geral, dentro do esperado. Por volta das 10h30, os papéis caíam 2% na B3, a R$ 30,85, em uma reação que reflete a ausência de surpresas fortes, além de alguns pontos negativos, como despesas comerciais maiores.

Ação cai mesmo com receita recorde

Entre abril e junho, a Cury registrou receita líquida de R$ 1,69 bilhão, alta de 25,5% ante o segundo trimestre de 2025 e o maior valor da história da companhia. O lucro líquido somou R$ 270,5 milhões, crescimento anual de 14,3%, mas queda de 10,7% na comparação com os três primeiros meses de 2026.

O lucro ficou em linha com a projeção do Bradesco BBI, mas aproximadamente 5% abaixo do consenso do mercado. Essa diferença ajuda a explicar uma reação negativa mesmo diante do crescimento operacional: para as ações subirem, muitas vezes os investidores esperam que os resultados superem claramente as previsões já incorporadas aos preços.

Margem maior compensou parte das despesas

A margem bruta ajustada, parcela da receita que sobra após os custos diretamente ligados aos produtos e serviços, alcançou 39,8%. O indicador avançou 50 pontos-base em relação ao trimestre anterior e ficou 30 pontos-base acima da estimativa do Safra.

De acordo com o banco, a melhora foi favorecida por uma estratégia de precificação mais cuidadosa, em um cenário de preocupação com a inflação. Por outro lado, as despesas comerciais ficaram acima do esperado e o resultado financeiro líquido veio ligeiramente abaixo das projeções, limitando o impacto positivo da margem sobre o lucro.

Geração de caixa continua como destaque

A Cury gerou R$ 144,9 milhões em caixa no trimestre, alta de 40,2% em um ano. Foi o 29º trimestre consecutivo com geração positiva, um indicador importante porque mostra a capacidade de transformar vendas e resultados contábeis em recursos efetivamente disponíveis para a empresa.

O Safra também destacou que a companhia encerrou junho com alavancagem líquida de 14%. A medida compara a dívida líquida com a capacidade de geração operacional de recursos. O nível caiu 7 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior e ficou estável ante junho de 2025, sinalizando menor pressão financeira no curto prazo.

O que disseram Bradesco BBI e Safra

Para o Bradesco BBI, os números vieram de forma geral em linha com as expectativas e não trouxeram gatilhos relevantes para revisar as estimativas. O banco ressaltou o ritmo mais acelerado de repasses e registros, que contribuiu para a geração de caixa, mesmo com o aumento das despesas comerciais.

O Safra teve leitura semelhante e classificou o trimestre como sólido. A instituição afirmou que a evolução da margem da carteira de projetos, o chamado backlog, pode sustentar margens mais elevadas nos próximos trimestres. O banco também apontou a Cury como uma das empresas do setor com maior conversão de resultados em caixa.

Dividendos e próximos fatores para a ação

A companhia anunciou R$ 190 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a R$ 0,6167878071 por ação, com pagamento previsto para 8 de setembro. O valor representa um dividend yield de aproximadamente 2%, indicador que relaciona os dividendos pagos ao preço da ação. No acumulado de 2026, os proventos chegam a R$ 490 milhões, com yield de 5%, segundo o BBI.

O banco calcula que CURY3 é negociada a 6,4 vezes o lucro estimado para 2027 e projeta crescimento médio anual de 24% no lucro por ação entre 2026 e 2028, além de dividend yield de 10% em 2027. A ação, porém, continua sujeita à avaliação dos investidores sobre margens, despesas comerciais, geração de caixa e execução dos projetos nos próximos balanços.