As ações da CSN (CSNA3) e da Usiminas (USIM5) estão entre as maiores quedas do Ibovespa nesta segunda-feira (28), com perdas mais acentuadas que as de outras empresas do setor, como Vale e Gerdau. O movimento importa porque indica pressão específica sobre as siderúrgicas mais expostas ao mercado brasileiro de aço, além da influência da queda do minério de ferro.
Quanto caíam CSN e Usiminas durante o pregão
Por volta das 12h11, no horário de Brasília, CSNA3 recuava 2,52%, a R$ 5,80, enquanto USIM5 perdia 2,74%, a R$ 6,74. Os valores são um retrato daquele momento do pregão e podem mudar até o fechamento. As duas ações figuravam entre os destaques negativos do índice.
Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4) também tinham recuos, mas mais moderados. Essa diferença sugere que a queda não se explica apenas por um fator comum a todas as empresas ligadas a metais e mineração: as pressões sobre os preços do aço vendido no Brasil parecem pesar mais para CSN e Usiminas.
Pressão no aço doméstico vai além do minério
O minério de ferro caiu 0,91%, para US$ 104,97 por tonelada, na bolsa de Dalian, na China. Para Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, porém, esse movimento não basta para explicar o desempenho das duas siderúrgicas. Na avaliação do analista, o foco está na pressão sobre os preços domésticos do aço e nas revisões de margens — a diferença entre o que a empresa recebe pelas vendas e seus custos.
Os dados citados por Lemos apontam aumento de 12% nas importações de aço plano em agosto. A participação dos importados no mercado, chamada de penetração, avançou de 17% para 18,6%. Além disso, a bobina a quente, um tipo de aço conhecido pela sigla HRC, ainda tinha preço doméstico 18,5% acima do importado.
Quando o produto estrangeiro chega mais barato, compradores podem preferi-lo ou usá-lo para negociar melhores condições com fornecedores nacionais. Isso limita a capacidade das siderúrgicas locais de sustentar preços e pode reduzir suas margens. Segundo Lemos, esse cenário atinge especialmente Usiminas e CSN.
Por que as empresas reagem de forma diferente
A Gerdau tem, segundo Lemos, maior proteção por sua exposição a produtos de aço longo e à América do Norte. Esses fatores ajudam a explicar por que a ação pode sofrer menos com dificuldades concentradas no mercado brasileiro de aço plano. A Vale, por sua vez, tem exposição mais direta ao minério, cuja queda foi limitada a 0,91% no dado observado.
O analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, aponta outro elemento: CSN e Usiminas têm beta maior dentro do setor. Em termos simples, isso significa que suas ações tendem a oscilar mais em resposta aos movimentos do mercado. Esse comportamento pode ampliar tanto perdas quanto altas, sem significar, por si só, uma mudança equivalente nos resultados das companhias naquele dia.
O que acompanhar após a queda das ações
No caso da CSN, Lemos acrescenta à pressão sobre o aço uma preocupação maior com a geração de caixa e a alavancagem, isto é, o peso das dívidas em relação à capacidade financeira da empresa. Quando investidores questionam se uma companhia consegue gerar recursos e administrar suas obrigações, podem exigir maior cautela ao avaliar suas ações. Essa preocupação foi apontada especificamente para a CSN, não como explicação geral para todas as siderúrgicas.
Para quem acompanha o mercado, a queda desta segunda-feira reúne fatores distintos: minério mais barato, concorrência das importações e diferenças de exposição entre empresas. Os dados sobre aço importado e a distância entre os preços doméstico e estrangeiro ajudam a entender a pressão sobre as margens, enquanto caixa e dívida são pontos adicionais para a CSN. As cotações intradiárias não determinam como as ações fecharão; o investidor deve considerar que preços e desempenho podem mudar ao longo do pregão.
