O ministro das Cidades, Vladimir Lima, afirmou nesta terça-feira (18) que o crédito imobiliário no Brasil pode superar 12% do Produto Interno Bruto (PIB), depois de ter avançado recentemente de 10% para 11% da economia. A projeção sinaliza espaço para uma expansão relevante do financiamento habitacional, com possíveis efeitos sobre o acesso das famílias à casa própria e sobre a atividade da construção civil.

Ministro vê espaço para participação acima de 12% do PIB

A declaração foi feita durante o ABECIP Summit 2026. Lima afirmou que a participação do financiamento habitacional ainda está abaixo da observada em países como Estados Unidos, Reino Unido e China. Na avaliação do ministro, ajustes regulatórios e maior integração entre governo e setor privado podem sustentar uma nova etapa de crescimento.

“Eu pessoalmente acredito que a gente tem espaço, considerando o cenário mundial, para avançar para além dos 12%”, disse. Questionado pelo presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), Michel Cury, sobre a possibilidade de chegar a 20% do PIB, o ministro respondeu: “Temos tudo para avançar para além de 20%”.

Como o SBPE contribuiu para a expansão recente

Parte do crescimento foi atribuída às mudanças promovidas no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O sistema reúne mecanismos que direcionam recursos da poupança para operações de financiamento habitacional, conectando a captação de dinheiro das instituições financeiras à concessão de crédito para imóveis.

Segundo Lima, as alterações foram implementadas em conjunto pelo governo federal, pelo Banco Central e por outros órgãos envolvidos na política habitacional. No primeiro semestre de 2026, o crédito imobiliário cresceu mais de 29% em comparação com o primeiro semestre do ano anterior, de acordo com o ministro.

O que uma fatia maior do PIB significa para as famílias

A participação do crédito imobiliário no PIB mede o tamanho dos financiamentos habitacionais em relação à produção de bens e serviços do país. Quando essa proporção aumenta, significa que o mercado de financiamento movimenta um volume maior de recursos em comparação com o tamanho da economia, mas isso não indica, por si só, que todas as famílias terão acesso mais barato ao crédito.

Na prática, a expansão pode ampliar o número de pessoas capazes de financiar a compra, a construção ou a reforma de um imóvel. O efeito sobre o consumidor dependerá das taxas cobradas, dos prazos, das exigências de renda e das condições de aprovação de cada operação.

Por que as mudanças regulatórias são importantes

Regras regulatórias definem como os bancos captam recursos, quais operações podem realizar e como administram os riscos dos empréstimos. Ajustes nesse conjunto podem liberar mais recursos para o financiamento habitacional ou tornar o funcionamento do mercado mais integrado entre instituições públicas e privadas.

O desafio é fazer a expansão ocorrer de forma sustentável. O crescimento do crédito precisa ser compatível com a capacidade de pagamento dos tomadores e com a segurança do sistema financeiro. Caso contrário, uma concessão excessivamente rápida pode elevar a inadimplência e reduzir a qualidade das carteiras de financiamento.

Próximos passos para crédito, consumo e investimentos

A projeção do ministro ainda é uma expectativa, e não uma meta formal com prazo definido. Para que o crédito imobiliário avance além dos 12% do PIB, será necessário que as mudanças no SBPE continuem produzindo efeitos e que bancos, governo e setor privado mantenham a coordenação citada por Lima.

Para quem pretende financiar um imóvel, o principal ponto a acompanhar será a combinação entre juros, prazo, entrada exigida e comprometimento da renda. Para investidores, o crescimento do mercado pode influenciar instituições financeiras e empresas ligadas ao setor, mas os resultados dependerão da execução das regras e da capacidade de pagamento das famílias. A evolução do crédito no segundo semestre mostrará se o avanço de 29% registrado na primeira metade do ano terá continuidade.

Impacto para a sociedade

A expansão do crédito imobiliário pode ampliar o acesso das famílias ao financiamento para compra ou construção de moradias, desde que venha acompanhada de condições adequadas de prazo, juros e renda. O movimento também pode aumentar a atividade do setor de construção, com efeitos sobre a oferta de imóveis e a geração de trabalho, embora o impacto dependa da forma como as novas regras serão implementadas.