As ações da CPFL Energia (CPFE3) caíam cerca de 5% nesta sexta-feira (14), entre as maiores baixas do Ibovespa, após a companhia divulgar os resultados do segundo trimestre de 2026. Apesar do crescimento do lucro e do Ebitda, o mercado reagiu ao desempenho operacional abaixo das expectativas de algumas casas de análise, ao aumento das despesas e à fraqueza da geração eólica.

Lucro e Ebitda avançaram no segundo trimestre

A CPFL registrou lucro líquido de R$ 1,438 bilhão entre abril e junho, alta de 21,3% em relação aos R$ 1,186 bilhão do segundo trimestre de 2025. A receita operacional líquida somou R$ 11,107 bilhões, crescimento de 5,3% na mesma comparação anual.

O Ebitda, indicador que mostra a geração de caixa da operação antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 3,556 bilhões, avanço de 17,4% ante os R$ 3,028 bilhões registrados um ano antes. Todos os segmentos apresentaram crescimento no indicador.

Distribuição sustentou o balanço, mas teve custos maiores

A distribuição, principal atividade da companhia, teve expansão de 11,4% na receita, para R$ 2,3 bilhões, impulsionada pelo aumento das vendas de energia e pelos reajustes tarifários. O consumo maior foi associado às temperaturas mais elevadas e também ao avanço da demanda de data centers.

O Ebitda da distribuição chegou a R$ 2,3 bilhões, também com alta anual de 11,4%. O BTG Pactual destacou que o volume de energia consumido cresceu 4% e avaliou que o resultado do segmento ficou acima de suas projeções.

O avanço, porém, foi parcialmente limitado pelo aumento das despesas operacionais e das provisões. Para algumas análises, esses efeitos reduziram a qualidade do crescimento apresentado no trimestre, especialmente porque a distribuição concentra a maior parcela dos negócios da CPFL.

Geração eólica continuou pressionada por ventos fracos

Na geração, o Ebitda cresceu 4,1% na comparação anual, para R$ 767 milhões. O resultado positivo do segmento não eliminou a pressão sobre os parques eólicos, que continuaram enfrentando ventos mais fracos.

Em outras áreas, a transmissão apresentou alta de 134,2% no Ebitda, para R$ 400 milhões, enquanto Serviços e Outros avançou 60,6%, para R$ 88 milhões. Esses negócios ajudaram o resultado consolidado, mas têm peso menor na percepção do mercado sobre a operação de distribuição.

Por que as ações caíram mesmo com lucro maior

A XP Investimentos considerou que o balanço ficou ligeiramente abaixo de suas estimativas, principalmente por causa do aumento das despesas, das provisões e do desempenho mais fraco da geração eólica. O Safra também apontou números operacionais um pouco inferiores ao esperado, com destaque negativo para a distribuição.

Já o BTG avaliou o resultado como alinhado às projeções e ressaltou que o Ebitda da distribuidora ficou 5% acima de sua estimativa, em R$ 1,96 bilhão. A reação negativa das ações indica que, para parte dos investidores, o crescimento dos números absolutos não compensou integralmente os sinais de pressão sobre custos e operação.

O que observar depois do balanço

As avaliações para CPFE3 ficaram divergentes. Os preços-alvo mencionados pelas instituições foram de R$ 51,30 pela XP, R$ 46,30 pelo BTG e R$ 58,70 pelo Safra, refletindo premissas diferentes sobre tarifas, consumo, despesas e desempenho dos ativos de geração.

Para quem acompanha a empresa, os próximos pontos de atenção são a evolução do consumo de energia, a capacidade de controlar despesas e provisões e a recuperação da geração eólica. O lucro maior e o avanço do Ebitda mostram crescimento no trimestre, mas a queda de 5% das ações evidencia que o mercado também avalia a sustentabilidade desse desempenho e sua distância em relação às expectativas.