A Coty ampliou o prejuízo do quarto trimestre fiscal para US$ 141 milhões, ou US$ 0,16 por ação, ante perda de US$ 68,8 milhões, ou US$ 0,08 por ação, um ano antes. O resultado reforça a decisão da companhia de concentrar investimentos em perfumes e produtos de beleza premium, enquanto simplifica o portfólio e tenta recuperar o crescimento em um cenário de consumidores mais seletivos.

Receita cresce, mas queda no lucro aumenta a pressão

A receita da Coty subiu 1%, para US$ 1,27 bilhão, no trimestre, acima da estimativa de US$ 1,19 bilhão. O avanço das vendas, porém, não foi suficiente para impedir a deterioração do resultado final, que mais que dobrou em relação ao prejuízo registrado no mesmo período do ano anterior.

O desempenho mostra a diferença entre vender mais e gerar lucro. Custos operacionais, despesas de reestruturação, investimentos em marcas e a composição dos produtos vendidos podem afetar o resultado mesmo quando a receita aumenta. Para a Coty, a prioridade agora é direcionar recursos para categorias com maior valor agregado e potencial de margem.

Perfumes premium ganham espaço na estratégia

A divisão de prestígio, que reúne fragrâncias e outros produtos de maior valor, teve receita de US$ 771,8 milhões, alta de 1%. O segmento inclui marcas como Burberry, Hugo Boss e Calvin Klein, que ajudam a companhia a disputar consumidores dispostos a pagar mais por produtos associados a grife, design e posicionamento internacional.

Em contrapartida, a área de beleza para consumidores, com marcas vendidas principalmente no varejo de massa, registrou receita de US$ 497,4 milhões. Embora o valor tenha aumentado em termos nominais, as vendas recuaram 3% em base comparável, medida que desconsidera efeitos de câmbio, aquisições e outros fatores para mostrar melhor a evolução do negócio existente.

Consumidor mais seletivo limita a recuperação

A Coty afirmou que a demanda por produtos de beleza continua relativamente resistente, mas os consumidores estão escolhendo com mais cuidado onde gastar. Esse comportamento tende a favorecer itens considerados essenciais ou promoções no segmento de massa, ao mesmo tempo que exige das empresas maior poder de marca para sustentar preços em categorias premium.

Para o primeiro trimestre do atual ano fiscal, a companhia antecipou queda na receita. O ano, que termina em junho de 2027, deve ser tratado como um período de transição, com melhora gradual ao longo dos meses. A empresa pretende apresentar uma visão mais ampla para o ciclo depois de concluir uma revisão estratégica do negócio.

Nova diretora financeira chega após reestruturação

A Coty nomeou Soraya Benchikh como sua próxima diretora financeira. A executiva tem experiência nos setores de tabaco e bebidas alcoólicas, segmentos em que gestão de marcas, distribuição e disciplina de custos também são elementos relevantes para a rentabilidade.

A escolha ocorre depois de uma reestruturação da operação realizada no mês passado. A mudança indica que a companhia está ajustando sua estrutura administrativa ao plano de recuperação, mas o impacto sobre resultados futuros dependerá da execução da estratégia e da resposta dos consumidores às marcas priorizadas.

O que observar nos próximos resultados

Para quem acompanha a empresa, os principais pontos serão a evolução da receita de prestígio, a recuperação das vendas comparáveis no segmento de consumo e a capacidade de reduzir o prejuízo sem comprometer investimentos nas marcas premium. A receita acima das estimativas mostra alguma resiliência, mas a ampliação da perda revela que o crescimento ainda não se converteu em melhora financeira.

A próxima etapa será acompanhar a revisão estratégica e os resultados do primeiro trimestre do novo ano fiscal. Até lá, a Coty sinaliza uma trajetória de recuperação não linear: a companhia espera estabilização progressiva, mas reconhece que a seletividade do consumidor e a reorganização interna ainda podem pressionar vendas e margens.