Uma empresa de Pindorama, no interior de São Paulo, construiu um negócio de R$ 601 milhões e se tornou dominante no mercado brasileiro de máquinas para amendoim. A Indústrias Colombo afirma que seus equipamentos estão presentes em 99% da colheita nacional, resultado de uma estratégia voltada a culturas agrícolas menores e com problemas específicos de mecanização.

De solução para a lavoura a grupo de R$ 600 milhões

A história começou há 53 anos, quando os fundadores da Colombo ainda eram produtores rurais no interior paulista. Como parte relevante do trabalho com amendoim era feita manualmente, a família desenvolveu uma máquina para mecanizar uma etapa da colheita. O interesse de produtores vizinhos transformou a solução criada para uso próprio em uma empresa.

O grupo chegou a 2025 com faturamento de R$ 601 milhões, alta de 13% em relação a 2024. Hoje, emprega mais de 1.200 pessoas, mantém quatro fábricas no estado de São Paulo e possui operações nos Estados Unidos e na Argentina. Seus produtos são vendidos em mais de 60 países.

Por que a empresa escolheu nichos agrícolas

Em vez de disputar diretamente o mercado de máquinas para grandes culturas, como soja e milho, a Colombo concentrou esforços em atividades com menor área plantada, mas que exigem equipamentos específicos. O amendoim é o principal exemplo, ao lado de café, feijão e outras lavouras.

Esse modelo permite atacar problemas que ainda dependem de mão de obra ou que não são resolvidos por máquinas disponíveis no mercado. “Hoje, 99% do amendoim no Brasil é colhido com máquinas nossas”, afirma Leonildo Colombo Neto, COO e integrante da terceira geração da família.

Transmissões agrícolas viraram outra fonte de receita

A fabricação de máquinas também levou a Colombo a criar um segundo negócio. Os equipamentos utilizavam cardans e caixas de transmissão, componentes que transferem a força do trator para diferentes partes da máquina. Como outras fabricantes precisavam das mesmas peças, o grupo passou a produzi-las e comercializá-las pela marca Aemco.

As máquinas agrícolas respondem por cerca de 70% do faturamento do grupo, enquanto as transmissões representam os 30% restantes. De acordo com a empresa, aproximadamente 70% dos implementos agrícolas fabricados no Brasil usam alguma transmissão produzida pela Colombo, ampliando sua presença para além dos equipamentos de amendoim.

Plano prevê mais que dobrar de tamanho até 2031

A Colombo projeta crescimento de 5% em 2026, ritmo inferior ao avanço de 13% registrado em 2025. A desaceleração não altera, porém, a ambição de mais que dobrar o tamanho do grupo até 2031.

Para alcançar a meta, a empresa pretende lançar produtos para culturas em que já atua, buscar novos nichos e vender mais componentes para outras fabricantes. A pimenta-do-reino está entre as apostas recentes, e outros segmentos agrícolas estão em avaliação. A área de pesquisa e desenvolvimento reúne mais de 60 profissionais, que também acompanham produtores no campo para adaptar os equipamentos às necessidades da lavoura.

O que o caso mostra para empresas e investidores

O crescimento da Colombo foi construído sobre uma combinação de especialização e diversificação: a empresa domina uma etapa relevante de uma cultura específica, mas usa o conhecimento industrial acumulado para vender máquinas e componentes em outros mercados. O resultado é uma operação menos dependente de um único produto, embora ainda concentrada em nichos do agronegócio.

Para quem acompanha empresas, o próximo passo será observar se a expansão internacional, os novos equipamentos e a divisão de transmissões conseguem sustentar o plano até 2031. Para trabalhadores e fornecedores, o crescimento pode ampliar a atividade nas fábricas e na cadeia agrícola; para consumidores, o efeito tende a aparecer de forma indireta, conforme a mecanização influencia produtividade e custos no campo.