57% das empresas industriais brasileiras implementam ao menos uma prática de economia circular em seus processos produtivos, aponta a Sondagem Especial nº 102 – Economia Circular 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O dado indica que mais da metade das empresas ouvidas já adota alguma iniciativa ligada ao uso mais eficiente de recursos, embora não revele, por si só, a escala ou a frequência dessas ações.

O que significa adotar economia circular

Na lógica da economia circular, materiais e produtos são mantidos em uso pelo maior tempo possível, em vez de serem descartados após uma única etapa de produção ou consumo. Na indústria, isso pode envolver, por exemplo, reaproveitar resíduos como insumos, consertar equipamentos ou redesenhar produtos para facilitar sua reutilização e reciclagem. Esses exemplos ajudam a explicar o conceito, mas não identificam quais práticas foram adotadas pelas empresas pesquisadas.

O modelo se diferencia de uma cadeia linear, em que recursos são extraídos, transformados em produtos e descartados ao fim do uso. A proposta circular busca fechar parte desse ciclo: recuperar materiais e reduzir a necessidade de retirar novos recursos do ambiente. Na prática, cada empresa pode aplicar essa ideia de formas distintas, conforme seus produtos, processos e condições de operação.

O que o número de 57% revela — e o que não revela

O levantamento aponta a presença de ao menos uma prática em 57% das empresas consultadas. Isso não significa que essas companhias tenham transformado toda a produção, nem que adotem o mesmo conjunto de medidas. Uma iniciativa pontual e uma mudança ampla nos processos contam igualmente para esse indicador, desde que atendam ao critério da pesquisa.

Também não é possível concluir, a partir desse percentual isolado, quanto as práticas reduziram o uso de matérias-primas ou o volume de resíduos, nem qual foi o efeito sobre os custos das empresas. O resultado oferece um retrato da adoção, mas não mede a intensidade das iniciativas. Para avaliar a profundidade da mudança, seriam necessários dados sobre os tipos de ação, sua abrangência e os resultados obtidos.

Como essas práticas podem afetar a produção

Em termos econômicos, reaproveitar materiais pode reduzir a dependência de insumos novos e evitar parte do desperdício. Mas o resultado depende de fatores como a possibilidade de recuperar o material, a adaptação dos equipamentos e os custos para alterar processos. A economia circular não significa automaticamente produzir a um custo menor: mudanças podem exigir planejamento e ajustes, e o benefício varia de uma atividade para outra.

Há também uma dimensão ambiental. Usar recursos por mais tempo e reinserir materiais na produção pode diminuir a quantidade descartada e a demanda por novas matérias-primas. Esse potencial, porém, não deve ser confundido com um impacto já comprovado pelo levantamento: o dado divulgado informa a adoção de práticas, não quantifica emissões, resíduos ou economia de recursos.

O que acompanhar nos próximos dados

Para empresas, trabalhadores e investidores interessados no tema, a principal informação nova é que a adoção de alguma prática já alcança mais da metade das indústrias pesquisadas. O percentual ajuda a dimensionar a presença da economia circular no setor, mas não permite comparar o desempenho entre empresas ou projetar efeitos sobre preços, empregos e resultados financeiros.

O próximo passo para entender melhor esse avanço é conhecer quais práticas são mais comuns e em que escala estão sendo aplicadas. Também importa saber quais obstáculos dificultam sua ampliação e que resultados as empresas conseguem medir. Até que essas informações estejam disponíveis, os 57% devem ser lidos como um indicador de adesão inicial ou parcial, e não como prova de que a indústria brasileira já opera majoritariamente em um modelo circular completo.