O Citi calcula um potencial de alta de 78,9% para as ações da C&A (CEAB3), com preço-alvo de R$ 16, enquanto os papéis avançavam 6,38%, a R$ 9,51, por volta das 14h45 desta segunda-feira (21). A avaliação, que combina expansão da rede, avanço do C&A Pay e maior distribuição de capital, ajudou a ação a ficar entre as maiores altas do Ibovespa no pregão.
Por que o Citi está mais construtivo com a C&A
O banco afirma que a varejista entrou em uma fase mais ambiciosa, com a administração reafirmando os planos de expansão e demonstrando confiança no crescimento orgânico. A expectativa é que reformas nas lojas e maior engajamento dos clientes contribuam para elevar as vendas e a produtividade das unidades.
O Citi também considera relevante a assimetria entre o potencial de valorização e o preço atual do papel. As ações são negociadas a menos de 6 vezes o P/L estimado para 2027 — indicador que relaciona o preço da ação ao lucro esperado —, embora o cenário para o próximo ano ainda seja considerado incerto.
Expansão terá foco em produtividade, não apenas em lojas
A C&A estima um potencial de longo prazo para aproximadamente 130 novas lojas líquidas. No horizonte mais concreto, a companhia identifica espaço para abrir entre 60 e 80 unidades nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
A administração, porém, não pretende acelerar as inaugurações apenas para alcançar uma quantidade determinada. A prioridade será escolher pontos de alta qualidade, especialmente em shopping centers relevantes, e garantir que as lojas tenham produtividade adequada. O modelo omnicanal, que integra lojas físicas e vendas digitais, também será considerado na decisão de expansão.
C&A Pay pode ampliar frequência de compra
O C&A Pay é visto como uma alavanca adicional para o negócio principal, e não como uma operação financeira independente. A plataforma deve avançar para empréstimos pessoais e cartões de crédito de marca compartilhada, conhecidos como cartões co-branded.
A estratégia é usar os serviços financeiros para aumentar a frequência de compras, o tíquete médio e a retenção de clientes. Parte dos resultados gerados pelo sistema poderá ser reinvestida em iniciativas comerciais, como cashback, para estimular as vendas de roupas e acessórios.
Segundo a avaliação, a qualidade do crédito permanece estável, sem deterioração nas safras mais recentes. Ainda assim, a C&A apertou os critérios de concessão no fim do ano passado e pretende manter uma postura conservadora, o que pode limitar o crescimento mais acelerado da carteira.
Caixa líquido abre espaço para remunerar acionistas
Outro ponto destacado é que a companhia passou a estar em uma posição de caixa líquido, ou seja, com recursos em caixa superiores à dívida financeira. Isso permite elevar gradualmente as distribuições aos acionistas sem abandonar os investimentos no crescimento.
O Capex, sigla para investimentos em ativos e operações, deve permanecer próximo de 7% da receita. Os recursos serão destinados a novas lojas, reformas, logística, tecnologia e melhorias na operação omnicanal.
A administração reiterou que a dívida líquida deverá ficar abaixo de 0,5 vez o Ebitda, medida usada para comparar a dívida com a geração operacional de caixa. O limite será tratado como teto, e não como uma meta: a empresa não pretende aumentar o endividamento apenas para financiar dividendos ou recompras.
O que observar após a alta de CEAB3
A disparada desta segunda-feira reflete a percepção de que a C&A pode combinar crescimento, disciplina financeira e maior retorno ao acionista. Como o preço-alvo representa uma estimativa, e não uma garantia, a concretização desse potencial dependerá da execução do plano de lojas, do desempenho das vendas e da evolução do crédito.
Para quem acompanha a empresa, os próximos pontos de atenção são a produtividade das unidades reformadas, o ritmo de expansão seletiva, a adesão ao C&A Pay e a forma como o caixa será distribuído. A decisão de investir ou não deve considerar esses fatores, além dos riscos próprios do varejo e das condições econômicas de 2027.
