O Citi selecionou Petrobras (PETR3), BTG Pactual (BPAC11) e Embraer (EMBJ3) entre as ações que, na avaliação do banco, podem ajudar a atravessar a volatilidade provocada pela disputa eleitoral. Os papéis fazem parte de uma carteira de longo prazo com foco em menor oscilação, atualizada diante do aumento da incerteza política.

Quais ações entraram e quais deixaram a seleção

A carteira, chamada de portfólio de mínima volatilidade, reúne de 10 a 15 ações e distribui pesos de 5%, 10% ou 15%. A estratégia busca reduzir movimentos mais intensos sem eliminar a exposição ao potencial de valorização da renda variável.

Na atualização, entraram XP, negociada no Brasil pelo BDR XPBR31, BTG Pactual, Hypera (HYPE3), Ecorodovias (ECOR3) e Sabesp (SBSP3). Deixaram a seleção Smart Fit (SMFT3), Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco Saúde (SAUD3), Motiva (MOTV3), Eneva (ENEV3) e Cury (CURY3).

Como ficou a distribuição da carteira

XP, BTG Pactual, Prio (PRIO3), Rede D’Or (RDOR3), Hypera e Ecorodovias passaram a ter peso de 5% cada. Multiplan (MULT3), Embraer, Vale (VALE3), Petrobras, Axia (AXIA3), Sabesp e Vivara (VIVA3) ficaram com 10% cada.

A principal mudança de alocação ocorreu em Vivara: sua participação foi ampliada de 5% para 10%. A composição combina empresas de setores diferentes, como commodities, bancos, saúde, infraestrutura, varejo e indústria, numa tentativa de reduzir a dependência de um único cenário econômico.

Por que a eleição influencia as escolhas

O Citi considera que a corrida eleitoral mais apertada pode continuar provocando mudanças rápidas nas expectativas para juros, gastos públicos e atividade econômica. Por isso, a instituição procura equilibrar empresas defensivas com ações que poderiam se beneficiar de diferentes desfechos políticos.

Em um cenário com maior apoio a programas governamentais, o banco vê espaço para companhias expostas a iniciativas como o Minha Casa, Minha Vida. Já numa eventual vitória da oposição, a preferência poderia se deslocar para ações mais sensíveis a uma queda dos juros no longo prazo.

O que significa apostar em ações de maior duração

Na linguagem de mercado, duração mede quanto do valor de uma empresa está relacionado a resultados esperados no futuro. Quanto maior essa parcela, maior tende a ser a sensibilidade do papel às taxas de juros.

Quando os juros projetados caem, os fluxos de caixa futuros passam a valer mais na avaliação dos investidores, o que pode favorecer essas ações. O movimento inverso costuma pressioná-las. A estratégia, portanto, não depende apenas do desempenho operacional das empresas, mas também das expectativas para a política econômica.

Como o investidor deve interpretar a seleção

O Citi afirma usar uma abordagem de baixo para cima, que começa pela análise dos fundamentos das companhias, combinada a fatores mais amplos, como eleições, juros e atividade econômica. A carteira busca superar o Ibovespa em períodos mais longos, mas não elimina o risco próprio da renda variável.

Para quem acompanha o mercado, a nova composição funciona como um retrato das preferências do banco diante da incerteza eleitoral, e não como garantia de desempenho. Os próximos fatores a monitorar são a evolução das pesquisas, as propostas dos candidatos e o impacto dessas informações nas expectativas de juros e nos preços das ações.