O Citi elevou em R$ 7 o preço-alvo das ações do Fleury (FLRY3), de R$ 16 para R$ 23, mas a nova estimativa ainda indica potencial de queda de 5,27% em relação ao fechamento de 5 de outubro. A revisão ocorreu antes do balanço do terceiro trimestre e veio acompanhada da manutenção da recomendação neutra: para o banco, as expectativas já estão altas após a forte valorização do papel.
Alta da ação supera a revisão das projeções
Na sessão desta terça-feira (6), os papéis do Fleury estavam entre as maiores altas do Ibovespa. Por volta das 11h30, subiam 4,74%, a R$ 25,43. O desempenho do dia se soma à valorização de 64% acumulada em 2026 e à alta de 43% desde a divulgação dos resultados do segundo trimestre.
Na avaliação do Citi, o avanço reflete tanto revisões positivas nas projeções de lucro quanto a disposição de investidores para aceitar uma avaliação mais alta da empresa. O banco elevou suas estimativas de lucro para 2026 em 11% e para 2027 em 18%. A revisão do preço-alvo também foi favorecida por uma taxa de desconto menor, que aumenta o valor atribuído hoje a resultados esperados para o futuro.
O que sustenta a avaliação do Citi
O banco observa que o múltiplo preço sobre lucro (P/L) do Fleury se afastou do patamar associado a empresas de saúde mais maduras e passou a se aproximar do grupo de companhias chamadas de “compounders”. O termo descreve negócios vistos pelo mercado como capazes de crescer de forma consistente ao longo do tempo.
Essa mudança ajuda a explicar por que investidores podem aceitar pagar mais pelas ações, mas também eleva a exigência por resultados. O Citi considera que a resiliência da operação, novas revisões para cima das projeções de lucro e a expectativa de custo de capital menor no Brasil podem continuar favorecendo o papel no curto prazo. Ainda assim, avalia que parte do otimismo já está refletida no preço.
Projeção é de receita maior e pressão nas margens
O Fleury divulgará os resultados de julho a setembro em 5 de novembro. Para o trimestre, o Citi projeta crescimento de 12,7% na receita ante o mesmo período de 2025, ou de 10% em termos orgânicos, isto é, desconsiderando o efeito de aquisições e outros fatores de expansão.
As margens, porém, podem sofrer pressão com a integração recente da Femme. O banco calcula que esse processo reduza a margem em cerca de 30 pontos-base na comparação anual. Mesmo assim, estima EBITDA — indicador do resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — de R$ 667 milhões, em linha com as projeções reunidas pela Visible Alpha.
Lucro pode avançar com despesas menores
O Citi prevê lucro líquido de R$ 257 milhões no trimestre, valor 6% superior à projeção média do mercado. Segundo os analistas, despesas menores com depreciação e amortização, despesas financeiras controladas e uma carga tributária menor podem compensar parte da pressão sobre as margens.
O resultado efetivo permitirá avaliar se o crescimento da receita e os ganhos esperados em outras linhas se confirmaram. A comparação com o mesmo trimestre do ano anterior também ajudará a dimensionar o efeito da integração da Femme sobre a operação.
Execução será decisiva para os próximos passos
Apesar de elevar o preço-alvo, o Citi manteve a recomendação neutra. Na leitura do banco, novas altas dependeriam provavelmente de execução consistente ou de decisões de alocação de capital que criem valor — por exemplo, o uso dos recursos da companhia de forma a contribuir para seus resultados.
Para quem acompanha o papel, os próximos marcos são a divulgação do balanço em 5 de novembro e a capacidade do Fleury de entregar os resultados projetados. A revisão do Citi reconhece perspectivas de lucro melhores, mas o potencial de queda indicado pelo preço-alvo mostra que, após a valorização expressiva, a distância entre expectativa e desempenho efetivo ganhou importância.
