A China vai ampliar a liquidez do yuan no exterior e tornar mais frequente a emissão de títulos soberanos e letras do banco central em mercados offshore. O movimento acelera a internacionalização da moeda, facilita seu uso por investidores e empresas fora do país e reforça a estratégia de Pequim para aumentar a presença do yuan no sistema financeiro global.

Emissão regular deve fortalecer o mercado offshore

Lu Lei, vice-presidente do Banco Central da China, afirmou nesta quinta-feira (10) que as autoridades manterão a liquidez do yuan offshore em níveis amplos e estáveis. Na prática, isso significa garantir uma oferta mais previsível da moeda nos centros financeiros internacionais, reduzindo a dificuldade de empresas e instituições para obter yuan e realizar pagamentos ou investimentos.

A emissão regular de títulos soberanos e letras do banco central fora da China continental também cria mais instrumentos financeiros denominados na moeda. Esses papéis podem servir como referência para outros emissores e ampliar as alternativas de investimento em yuan, além de ajudar a formar preços e taxas de juros no mercado internacional.

Diferença entre yuan onshore e offshore

O nome oficial da moeda chinesa é renminbi, enquanto “yuan” é a denominação mais usada nas negociações. Ela circula em dois mercados principais: o CNY, negociado dentro da China continental, e o CNH, negociado fora do país, especialmente em centros como Hong Kong e Singapura.

A cotação do CNY sofre maior influência das autoridades chinesas. Já o CNH é formado de maneira mais livre pela oferta e pela demanda internacionais, embora continue sujeito às políticas de Pequim. Ao ampliar a liquidez do CNH, a China busca tornar o yuan mais acessível sem abandonar o controle sobre as condições cambiais domésticas.

Mais ativos em yuan atraem investidores estrangeiros

Segundo Lu, entidades estrangeiras já detêm mais de 11 trilhões de yuans em ativos financeiros denominados na moeda dentro do mercado chinês. O montante equivale a cerca de US$ 1,64 trilhão e mostra que o interesse externo pelo mercado chinês não se limita ao comércio de bens.

O Banco Central afirmou que pretende melhorar as condições para que instituições estrangeiras mantenham e utilizem o yuan. Quanto maior a facilidade para movimentar a moeda, investir e liquidar operações, maior tende a ser sua utilidade em contratos comerciais, reservas financeiras e transações entre países.

Yuan digital entra na estratégia de expansão

Além do mercado tradicional, a China pretende promover o uso do yuan digital em transações internacionais. A moeda digital emitida pelo banco central pode facilitar pagamentos transfronteiriços ao reduzir etapas de intermediação e permitir a integração entre sistemas financeiros de diferentes países.

A expansão, porém, depende de mais do que tecnologia. Empresas e investidores precisam confiar na estabilidade da moeda, ter acesso a mercados líquidos e contar com regras que permitam seu uso internacional. Por isso, a oferta regular de títulos e a manutenção de condições cambiais previsíveis fazem parte da mesma estratégia.

Estabilidade cambial é prioridade para Pequim

Lu disse que a China manterá o yuan “basicamente estável” e não pretende buscar vantagem comercial por meio de uma desvalorização da moeda. A declaração procura afastar a percepção de que a internacionalização dependeria de um yuan artificialmente mais barato para estimular as exportações.

Para quem investe ou acompanha o comércio global, o avanço do yuan pode diversificar as moedas usadas em pagamentos e aplicações, mas não elimina os riscos cambiais e regulatórios associados ao mercado chinês. No dia a dia, uma moeda chinesa mais presente pode reduzir custos e dificuldades em algumas transações com a China; seus efeitos sobre preços no Brasil dependerão da cotação do yuan, do dólar e da evolução do comércio entre os países.