As reservas oficiais de ouro da China registraram em agosto o maior aumento mensal desde outubro de 2023, enquanto as reservas cambiais também cresceram. O movimento reforça a estratégia de Pequim de ampliar ativos considerados estratégicos e ocorre em um momento de pressão internacional para que o país permita a valorização do yuan.
Compras de ouro aceleram pelo 22º mês seguido
O estoque oficial de ouro da China subiu para 76,73 milhões de onças no fim de agosto, o equivalente a cerca de US$ 350 bilhões. Foram adicionadas 650 mil onças em relação ao fim de julho, aumento aproximado de 0,9% no volume acumulado.
Esse foi o 22º mês consecutivo de expansão das reservas de ouro. O ritmo também superou os acréscimos registrados nos dois meses anteriores: 640 mil onças em julho e 480 mil onças em junho.
A alta de agosto foi a mais intensa desde outubro de 2023, quando as reservas haviam crescido 740 mil onças no mês. O movimento mantém a sequência de compras iniciada pela China e aumenta a participação do metal na composição dos ativos oficiais do país.
Reservas em moeda estrangeira também avançam
As reservas cambiais, formadas principalmente por ativos denominados em moedas estrangeiras, aumentaram US$ 19,55 bilhões em agosto, alta de aproximadamente 0,6% sobre o estoque de julho. O total chegou a US$ 3,438 trilhões, acima da projeção de US$ 3,425 trilhões feita por economistas.
Esse tipo de reserva funciona como uma proteção para a economia e dá ao banco central capacidade de atuar no mercado de câmbio. A variação mensal, porém, não depende apenas de novas compras ou vendas de dólares: mudanças nos preços dos ativos e nas taxas de câmbio também alteram o valor total medido em moeda americana.
Dólar mais fraco e superávit comercial ajudam resultado
O crescimento das reservas cambiais em agosto foi impulsionado pela desvalorização do dólar e pelo forte aumento do superávit comercial chinês. Quando a China exporta mais do que importa, entram mais recursos externos no país, o que tende a elevar o volume de ativos internacionais acumulados.
A queda do dólar frente a outras moedas também pode aumentar, quando convertidos para a moeda americana, os valores de ativos mantidos em diferentes divisas. Por isso, a alta das reservas não significa necessariamente que todo o aumento tenha vindo de novas compras de dólares.
Movimento aumenta pressão sobre o yuan
O desempenho ocorre em meio a cobranças de autoridades internacionais para que Pequim adote medidas contra a exportação de produtos chineses de baixo custo. Também há pressão para que o país permita a valorização do yuan, considerado subvalorizado por muitos analistas.
Uma moeda mais forte encarece os produtos chineses no exterior e pode reduzir a vantagem de preço das exportações. Em contrapartida, diminui o custo de bens importados e pode ajudar a demanda interna. A valorização rápida, portanto, teria efeitos mistos sobre a economia.
Economistas avaliam que as autoridades chinesas provavelmente evitarão uma apreciação acelerada do yuan. A preocupação é que um câmbio mais valorizado prejudique as exportações, o crescimento econômico e a demanda doméstica.
O que observar nos próximos dados
A combinação de compras de ouro e aumento das reservas cambiais será acompanhada como sinal da forma escolhida por Pequim para administrar seus ativos externos e lidar com as pressões sobre o câmbio. O ouro não depende da política monetária de outro país e costuma ser usado como diversificação diante de riscos financeiros e geopolíticos.
Para os mercados, os próximos dados sobre reservas, comércio exterior e comportamento do yuan ajudarão a indicar se a China continuará acumulando ouro nesse ritmo. Também será importante observar se o crescimento do superávit comercial ampliará as cobranças por mudanças na política cambial chinesa.
