A Chandon avançou na adoção de práticas de viticultura regenerativa, com cobertura vegetal em todo o cultivo, ausência de herbicidas e reaproveitamento do bagaço de uva para recuperar a qualidade do solo. A estratégia, aplicada nos vinhedos de Encruzilhada do Sul, no Rio Grande do Sul, e compartilhada com 80 produtores parceiros, busca aumentar a biodiversidade e dar mais sustentabilidade à produção de espumantes no longo prazo.
Como a cobertura vegetal protege o solo dos vinhedos
Entre as práticas adotadas estão o plantio direto e o uso de culturas de cobertura, como aveia e nabo. Essas plantas mantêm o solo protegido contra a erosão, ajudam a reter umidade e contribuem para a atividade de microrganismos e outros organismos que participam do equilíbrio do terreno.
A Chandon também eliminou o uso de herbicidas. A lógica é tratar o solo como um sistema vivo, que envolve raízes, água, insetos, clima e microrganismos, e não apenas como o espaço onde as videiras são plantadas. A empresa afirma que testou as técnicas em seus próprios vinhedos antes de repassá-las aos parceiros.
Regeneração vai além da preservação ambiental
Para a vinícola, preservar significa proteger as condições existentes. Regenerar, por outro lado, envolve recuperar parte da vitalidade e da diversidade que o território perdeu ao longo do tempo. Essa abordagem orienta um trabalho iniciado há mais de uma década e que considera o ciclo de produção em horizontes mais longos do que uma única safra.
Uma videira pode levar sete anos para alcançar seu potencial produtivo. Por isso, as decisões de manejo têm efeitos que se estendem por anos e afetam a resiliência do vinhedo diante de erosão, perda de umidade e redução da biodiversidade. Delphine Vazquez, diretora de sustentabilidade da Chandon, afirma que a construção de um vinhedo sustentável é pensada para as próximas gerações.
Bagaço retorna ao vinhedo em economia circular
O modelo também inclui o reaproveitamento dos resíduos da produção. Todo o bagaço de uva gerado na elaboração dos espumantes é transformado em composto e devolvido ao vinhedo. O material passa a contribuir para a nutrição do solo, reduzindo a necessidade de retirar nutrientes continuamente do sistema.
Esse processo forma um ciclo de economia circular: parte do que seria descartado retorna à propriedade como insumo. Em 2026, uma avaliação da consultoria Genesis, especializada em estudos de solo em propriedades agrícolas, colocou a Chandon entre as empresas do setor com melhor desempenho global nesse aspecto.
Certificação e áreas de biodiversidade
O vinhedo próprio de Encruzilhada do Sul recebeu, em 2020, a certificação do protocolo PIUP, tornando a Chandon a primeira vinícola brasileira certificada em viticultura sustentável. Em 2024, a propriedade de Garibaldi também obteve o selo. Ao todo, são 121 hectares certificados.
A certificação exige monitoramento, registros detalhados, capacitação e melhoria contínua ao longo das safras. Em 2025, a operação brasileira ficou em segundo lugar mundial na categoria biodiversidade do LVMH Awards, premiação interna do grupo de luxo ao qual a marca pertence.
O que a Chandon mantém nas propriedades
A empresa destina 36% das terras, ou 100 hectares, à vegetação nativa, corredores biológicos e abrigos para aves. Desse total, 80 hectares estão no bioma Pampa e 20 hectares na Mata Atlântica. As propriedades preservam ainda 170 araucárias nativas e mantêm 90 colmeias com seis espécies de abelhas sem ferrão.
Outra frente é a conservação do butiá, palmeira associada à paisagem e à cultura do Rio Grande do Sul. Em parceria com a Embrapa Clima Temperado, a CMPC e a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado, a Chandon participa do replantio de 3 mil espécies ameaçadas em Encruzilhada do Sul. O projeto integra a Rota dos Butiazais e promove, desde 2023, um seminário anual aberto à comunidade.
