O CEO da Strategy, Phong Le, defendeu a decisão de vender bitcoin perto de US$ 60 mil e recomprar a criptomoeda algumas semanas depois por cerca de 30% mais, a aproximadamente US$ 80,3 mil. Para ele, a operação não foi uma aposta de curto prazo sobre a direção do mercado, mas uma forma de ajustar o balanço, financiar dividendos e reduzir o custo das operações da empresa.

Strategy vendeu 6.916 bitcoins entre junho e agosto

A empresa vendeu 6.916 bitcoins em quatro operações realizadas entre o fim de junho e meados de agosto. O preço médio ponderado foi de cerca de US$ 62,2 mil por unidade, valor bem inferior aos US$ 80.318 pagos na recompra feita na semana passada.

Na ocasião, a Strategy precisava levantar recursos para financiar os dividendos da STRC, uma classe de ações preferenciais da companhia. Le afirmou que, naquele momento, vender bitcoin era a decisão adequada para cumprir esse compromisso financeiro, mesmo que a cotação da criptomoeda viesse a subir depois.

Recompra foi financiada pela emissão de ações

A Strategy recomprou 4.603 bitcoins por US$ 369,7 milhões, segundo os dados divulgados pela própria empresa. O dinheiro veio da venda de ações ordinárias da companhia, negociadas sob o código MSTR, e não de uma nova emissão de dívida.

O mecanismo é diferente de simplesmente vender um ativo e tentar recomprá-lo mais barato. A empresa aproveitou a possibilidade de vender suas próprias ações com prêmio em relação ao valor dos bitcoins que possui. Com os recursos captados, comprou mais criptomoeda e ampliou suas reservas para 845.050 BTC, avaliadas em aproximadamente US$ 65,4 bilhões.

Por que a empresa diz que não tentou acertar o preço

Le afirmou que a Strategy não toma decisões sobre bitcoin exclusivamente com base na cotação. Na visão do executivo, a prioridade nos dois meses em que a empresa deixou de comprar foi fortalecer sua estrutura financeira e melhorar as condições para voltar a captar recursos.

Esse ponto é relevante porque, olhando apenas para o preço, a sequência parece uma operação malsucedida: a companhia vendeu em torno de US$ 62,2 mil e recomprou perto de US$ 80,3 mil. A diferença foi de aproximadamente US$ 18,1 mil por bitcoin, ou 29%, antes de considerar os recursos obtidos com as vendas e os efeitos sobre o balanço.

Balanço passou a ter mais caixa e menos dívida

Durante a pausa nas compras, os ativos da Strategy chegaram a cerca de US$ 72 bilhões. Desse total, aproximadamente US$ 65 bilhões estavam em bitcoin e US$ 7 bilhões em reservas em dólares, de acordo com Le.

O executivo também disse que a empresa reduziu sua dívida líquida de aproximadamente US$ 7 bilhões para zero. Dívida líquida é o endividamento descontado do caixa disponível; portanto, a mudança indica que as reservas em dólares passaram a cobrir integralmente essa obrigação, reduzindo a pressão financeira sobre a companhia.

O que a estratégia representa para os investidores

A política da Strategy combina exposição direta ao bitcoin com captação no mercado de ações e uso de diferentes instrumentos financeiros. Quando os papéis MSTR são negociados com prêmio, a empresa pode levantar dinheiro para comprar mais criptomoedas. Se esse prêmio desaparecer, a capacidade de financiar novas aquisições pode diminuir.

Para quem acompanha a companhia, o próximo ponto de atenção é a relação entre o preço do bitcoin, o valor de mercado da Strategy, suas reservas em caixa e os compromissos com dividendos e credores. A defesa de Le mostra que a empresa prioriza flexibilidade financeira, mas também evidencia o risco de que decisões corporativas pareçam desfavoráveis quando analisadas apenas pela diferença entre o preço de venda e o de recompra.