A Caixa passou a aceitar rendimentos obtidos em plataformas digitais na análise de financiamentos habitacionais, usando extratos dos quatro meses anteriores para comprovar a renda. A mudança ganha dimensão diante dos dados de 2025: motoristas de automóvel que trabalham por aplicativos receberam, em média, R$ 2.873 por mês, com rendimento de R$ 14,40 por hora e jornada semanal de 45,9 horas.

Renda mensal é maior, mas jornada também aumenta

O valor mensal dos motoristas de aplicativo ficou acima dos R$ 2.805 recebidos, em média, por motoristas que não trabalhavam por plataformas. A diferença foi de R$ 68 por mês, ou cerca de 2,4%.

Quando o cálculo considera o tempo trabalhado, porém, o quadro se inverte. Os motoristas de aplicativo cumpriram 45,9 horas por semana, contra 40,4 horas dos demais — 5,5 horas a mais. Por isso, o rendimento por hora ficou em R$ 14,40, abaixo dos R$ 16,00 registrados entre os outros motoristas.

Trabalho por aplicativo paga menos por hora

Considerando todos os trabalhadores de plataformas de serviços, a renda média mensal foi de R$ 3.147 em 2025, praticamente igual aos R$ 3.148 recebidos pelos trabalhadores do setor privado que não usavam aplicativos.

A diferença aparece na jornada: 44,7 horas semanais para quem trabalhava por plataformas, ante 39,3 horas para os demais. Com isso, o rendimento médio por hora ficou em R$ 16,20, cerca de 12% abaixo dos R$ 18,40 dos trabalhadores não plataformizados.

Como a Caixa comprova a renda dos aplicativos

Na análise de crédito imobiliário, a Caixa considera os ganhos obtidos nas plataformas digitais como parte da renda do trabalhador. Para demonstrar a regularidade desses recebimentos, são exigidos extratos referentes a quatro meses.

Essa possibilidade é especialmente relevante para profissionais cuja renda não aparece em um contracheque tradicional. Os extratos permitem apresentar ao banco o histórico dos valores recebidos pelas atividades realizadas em aplicativos, informação usada na avaliação do financiamento.

Quem são esses trabalhadores e por que entram nos apps

Os homens representam 84,4% dos trabalhadores que utilizam plataformas digitais como atividade única ou principal. A faixa de 25 a 39 anos concentra 47% desse grupo, enquanto 62,5% têm ensino médio completo ou ensino superior incompleto.

A flexibilidade de horários foi apontada como principal motivo para trabalhar por aplicativos, citada por 26,8% dos entrevistados. Depois aparecem a dificuldade de encontrar outro emprego, com 24,6%, e a percepção de que o rendimento seria maior que o de outras alternativas, com 20,8%.

O que os números significam para quem busca imóvel

Para o motorista ou entregador, a aceitação da renda amplia a possibilidade de participar da análise de financiamento sem depender exclusivamente de um salário formal. Mas o valor mensal não é o único elemento relevante: a instituição também precisa verificar a consistência dos recebimentos apresentados nos extratos.

Os dados de 2025 mostram, ao mesmo tempo, o potencial e o limite dessa renda. Embora o rendimento mensal dos motoristas de aplicativo tenha superado o dos demais motoristas, o ganho por hora foi menor, resultado de uma jornada mais extensa. A comprovação dos quatro meses de recebimentos passa a ser, portanto, uma etapa prática central para quem pretende transformar o trabalho em aplicativo em renda considerada no crédito habitacional.

Impacto para a sociedade

A aceitação da renda de aplicativos pode ampliar o acesso de motoristas e entregadores ao financiamento da casa própria, desde que eles consigam comprovar os ganhos. Para esses trabalhadores, os dados também mostram que a renda média mensal vem acompanhada de jornadas mais longas e menor ganho por hora.