O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou neste domingo que o Brasil tem estrutura própria para combater o narcotráfico e “libertar” a população das organizações criminosas. A declaração, feita em coletiva na Avenida Paulista, foi o principal fato novo de sua agenda e veio acompanhada da promessa de propor o enquadramento de facções criminosas como terroristas, caso seja eleito.
Caiado diz que decisão brasileira não depende de outros países
Questionado sobre a decisão do governo dos Estados Unidos de incluir facções brasileiras no quadro de terrorismo, Caiado disse que a resposta do país não precisa depender de governos europeus ou americanos. “A decisão brasileira não depende de decisão de europeu e nem de americano. Ela é uma decisão nossa”, afirmou.
O candidato declarou ainda que sabe “tratar, coibir e punir bandidos” e atribuiu a expansão do narcotráfico à conivência que, segundo ele, existiria no governo do PT. A proposta de classificar as facções como terroristas seria encaminhada por meio de uma medida ainda não detalhada no evento.
Proposta de segurança seria acompanhada por novas estruturas
Caiado também defendeu um “processo austero” para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, com foco no combate à corrupção. A ideia incluiria a criação de um órgão para reunir instituições como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Receita Federal e a área de inteligência da Polícia Federal.
A reunião desses órgãos, na visão do candidato, ampliaria a capacidade de investigação financeira e de combate a organizações criminosas. A CVM fiscaliza o mercado de capitais, enquanto o Coaf atua na identificação de movimentações financeiras suspeitas. O formato e as atribuições da estrutura não foram detalhados.
Juros de 7% dependeriam de corte de gastos
Na área econômica, Caiado afirmou que a Selic poderia chegar a 7% em um eventual governo. A taxa básica influencia o custo dos empréstimos, financiamentos e aplicações de renda fixa. Quando cai, tende a reduzir o custo do crédito e pode estimular consumo e investimento, mas também diminui a remuneração de títulos atrelados à própria Selic.
O candidato argumentou que os juros são consequência, e não causa, dos gastos públicos. Segundo ele, quando o governo gasta de forma irresponsável, o Banco Central eleva a taxa para evitar uma inflação “galopante”. Assim, a promessa de juros menores estaria condicionada a medidas de controle fiscal e à redução das pressões sobre os preços.
PEC limitaria crescimento das despesas públicas
Caiado voltou a defender uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para limitar os gastos do governo a até 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Também citou o corte de 100% das emendas impositivas, a revisão de incentivos fiscais e auditorias, com uso de plataformas de inteligência artificial, na distribuição de recursos de programas governamentais.
Outra medida mencionada foi a redução de 25% dos repasses a todos os Poderes e órgãos independentes. Na Previdência, o candidato disse que o equilíbrio fiscal não deveria penalizar o trabalhador nem o aposentado e afirmou que projetos sociais poderiam coexistir com austeridade.
O que as propostas significam para eleitores e investidores
As declarações ainda representam compromissos de campanha, e sua aplicação dependeria de aprovação no Congresso, além da definição de regras e fontes de economia. No caso da Selic, a taxa é decidida pelo Banco Central, e não diretamente pelo presidente, embora a política fiscal influencie as condições para cortes ou altas.
Para quem investe, uma trajetória de juros menores tende a reduzir o retorno de aplicações pós-fixadas e pode alterar a atratividade relativa de outros ativos. Para famílias e empresas, o efeito esperado seria crédito menos caro, mas somente se a inflação e as expectativas permanecerem controladas. O próximo passo será a apresentação mais detalhada das propostas econômicas e de segurança ao longo da campanha.
Impacto para a sociedade
As propostas apresentadas envolvem segurança pública, gastos do governo e juros, temas que afetam diretamente o cotidiano. Se aplicadas, mudanças fiscais poderiam alterar a trajetória da inflação e da Selic, influenciando o custo do crédito, o rendimento de investimentos e o consumo. A política de combate ao narcotráfico também pode afetar a segurança de trabalhadores, consumidores e usuários de serviços públicos, embora os efeitos dependam da execução das medidas.
