O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou nesta sexta-feira (7) que, se eleito, não privatizará a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Em sabatina na GloboNews, ele, no entanto, admitiu a possibilidade de vender segmentos da área de gás da estatal de petróleo. A declaração ganha relevância para o mercado porque sinaliza como o candidato enxergaria o papel das estatais na economia, tema sensível para investidores que acompanham ações como PETR4 e BBAS3.
O que Caiado disse sobre a Petrobras
Questionado sobre uma eventual venda de partes da Petrobras, Caiado respondeu: “Depende. A Petrobras está deixando muito a desejar na área de gás”. Ele reconheceu, porém, a força da companhia em águas profundas, classificando-a como “a top do mundo hoje”. Por isso, separou o que considera privatizável do que deve permanecer sob controle estatal.
“Eu acho que (privatizaria) segmentos do gás, não a parte de águas profundas”, explicou. A fala sugere uma visão seletiva sobre a estatal, que concentra seu valor de mercado justamente na exploração de petróleo no pré-sal, enquanto o gás natural ainda representa parcela menor do negócio.
Banco do Brasil e Caixa: papel social e crédito
Sobre as instituições financeiras públicas, Caiado foi taxativo: “De maneira alguma eu privatizaria o Banco do Brasil”. Ele argumentou que o banco tem “um poder ainda de contemplar, em regiões de maior carência no Brasil, o acesso a esse sistema de crédito”. A fala reforça a percepção de que o candidato enxerga essas empresas como instrumentos de política pública, não apenas geradoras de lucro.
O Banco do Brasil é uma das maiores instituições financeiras do país, com forte presença em municípios menores, onde a concorrência é escassa. Já a Caixa atua como agente de programas habitacionais e repasses de benefícios, o que a torna um braço social do governo. Caiado não detalhou propostas para essas empresas, mas a posição de não privatizá-las alinha-se a uma defesa do papel do Estado em setores estratégicos.
Impacto para o mercado e para o investidor
A notícia tem efeito direto sobre as ações das estatais listadas na bolsa. Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) são papéis de grande liquidez no Ibovespa e costumam sofrer com ruídos sobre mudanças na política de preços ou interferência governamental. A sinalização de manutenção do controle estatal tende a ser recebida com cautela por quem buscava eventos de desestatização como catalisadores de valorização.
Por outro lado, a abertura para privatizar segmentos de gás da Petrobras pode ser lida como um passo de maior eficiência operacional, ainda que de impacto limitado. É importante lembrar que, para o investidor, essas declarações são parte do jogo eleitoral. A concretização de qualquer plano dependerá de vitória nas urnas, composição do Congresso e condições de mercado na época.
O que fica no radar até a eleição
A agenda de privatizações deve continuar sendo um dos eixos do debate entre os candidatos. Caiado, que é governador de Goiás, busca se posicionar como um nome de centro-direita com perfil liberal, mas a resposta de hoje mostra limites a esse discurso quando o assunto são as estatais consideradas “vacas sagradas”.
Para o investidor, o acompanhamento das pesquisas e dos programas de governo é essencial. Mudanças na orientação econômica podem afetar desde a política de preços da gasolina até o fluxo de crédito para a casa própria. O mercado tende a ajustar as expectativas conforme os candidatos detalham suas propostas, e cada frase sobre privatização ou manutenção do controle estatal pode mexer com os preços dos ativos. Por isso, a recomendação é monitorar os próximos passos da campanha e os indicadores que mostram se a economia, hoje com Selic em 14%, terá espaço para cortes de juros ou se manterá o aperto monetário.
