O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou de forma definitiva a fusão entre OceanPact (OCPT3) e CBO. A transação deverá ser concluída em 16 de setembro, e as ações da nova companhia devem estrear na B3 em 17 de setembro, marco que reduz a incerteza sobre a operação e passa a concentrar a atenção do mercado nos resultados da combinação dos negócios.
Ação da OceanPact reage à aprovação do Cade
As ações da OceanPact subiam 2,83%, a R$ 10,55, às 12h30 desta terça-feira (1º). Durante o pregão, o papel chegou à máxima de R$ 10,76. A alta ocorreu depois de o Cade emitir o aval definitivo e favorável à fusão com a CBO.
O sinal positivo do mercado está relacionado principalmente à retirada do risco de execução da transação. Enquanto a aprovação não estivesse concluída, ainda havia incerteza regulatória sobre a realização da operação. Com o aval, o cronograma anunciado passa a prever a conclusão em 16 de setembro e a estreia dos papéis da nova companhia no dia seguinte.
Nova companhia terá ações listadas na B3
Na estreia prevista para 17 de setembro, os papéis da nova companhia devem ser negociados na B3 sem os direitos relativos às reivindicações da UP Coral. A mudança marca a etapa posterior à integração entre OceanPact e CBO e altera a referência usada pelo mercado para avaliar a empresa combinada.
A partir desse momento, a análise dos investidores tende a se voltar para a capacidade da companhia de transformar a união das operações em ganhos efetivos. Em termos práticos, a aprovação encerra a principal etapa regulatória mencionada no anúncio e abre espaço para a execução do plano empresarial após a fusão.
Sinergias estimadas chegam a R$ 757 milhões
O Itaú BBA avaliou a decisão como positiva porque permite que o mercado deixe de focar o risco de conclusão da operação e passe a acompanhar a captura das sinergias — economias e ganhos operacionais obtidos pela combinação das empresas. O banco estima sinergias de aproximadamente R$ 757 milhões.
Esse cálculo considera o ágio da transação, os benefícios fiscais relacionados ao estaleiro, a redução do tempo de inatividade e a diminuição do tempo ocioso. Esses fatores podem melhorar a eficiência e reduzir custos, mas dependem da execução da integração e da concretização das premissas usadas nas estimativas.
Projeção indica dividendos elevados em 2027
Considerando a taxa de câmbio acordada, a ausência de sinergias e a avaliação das reivindicações da UP Coral, o Itaú BBA estima que a nova companhia esteja sendo negociada a um dividend yield — rendimento dos dividendos em relação ao preço da ação — de aproximadamente 22% para 2027.
A projeção usa como premissa uma alavancagem de 2,0 vezes a dívida líquida sobre o EBITDA, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Na avaliação do banco, esse potencial de retorno colocaria a companhia entre as maiores pagadoras de dividendos acompanhadas pelo BBA.
O que acompanhar até a estreia dos papéis
Para quem investe, os próximos marcos são a conclusão formal da fusão em 16 de setembro e o início da negociação da nova companhia na B3 em 17 de setembro. Até lá, o mercado deve continuar acompanhando os termos finais da operação, as condições consideradas nas projeções e a expectativa de realização das sinergias.
O dividend yield de 22% é uma estimativa para 2027, e não uma garantia de pagamento. O resultado efetivo dependerá do desempenho operacional, da geração de caixa, da redução da dívida e da capacidade de executar a integração. Para consumidores e trabalhadores, o efeito direto da aprovação tende a ser limitado, por se tratar de uma operação corporativa específica.
