As ações da C&A (CEAB3) avançavam até 4,59% nesta quinta-feira (27), cotadas a R$ 8,21 por volta das 12h30, após a apresentação do plano estratégico “Full Power”. O movimento ganhou força com a avaliação do Safra de que o papel pode chegar a R$ 15,50, quase dobrando de preço em relação ao fechamento anterior, caso a varejista consiga executar suas metas de crescimento e rentabilidade.
Mercado reage ao plano para os próximos anos
Na máxima registrada até aquele horário, a ação chegou a subir 5,73%. A reação positiva reflete a percepção de que a C&A encerrou o ciclo estratégico “Energia”, válido de 2024 a 2026, mais preparada para ampliar vendas e eficiência operacional.
O novo plano prevê a abertura de 60 a 80 lojas nos próximos anos, principalmente em cidades com até 500 mil habitantes. A companhia também pretende continuar remodelando unidades, integrar melhor suas operações de tecnologia e logística e ampliar o ecossistema financeiro C&A Pay.
Safra calcula potencial de alta de 97%
O Safra manteve recomendação equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 15,50. O valor representa potencial de alta de 97% sobre a cotação de fechamento anterior à avaliação do banco. Preços-alvo são estimativas para um horizonte determinado e dependem da concretização das premissas adotadas pelos analistas; portanto, não representam garantia de retorno.
Para o banco, a administração apresentou um roteiro claro para transformar os ganhos de produtividade do ciclo Energia em crescimento. Entre os pontos destacados estão a expansão das lojas, o aumento das vendas em diferentes canais e a aplicação de tecnologia e inteligência artificial na operação.
Como tecnologia e logística podem melhorar as margens
O uso de inteligência artificial e de ferramentas de análise pode ajudar a varejista a prever melhor a demanda e ajustar o sortimento de produtos. Na prática, isso tende a reduzir excessos de estoque, diminuir a necessidade de descontos e melhorar a disponibilidade de peças nas lojas e nos canais digitais.
A otimização da cadeia de suprimentos tem efeito semelhante. Uma operação logística mais eficiente pode reduzir custos e acelerar a reposição, contribuindo para a margem bruta, indicador que mostra quanto sobra da receita após os custos diretamente ligados aos produtos vendidos.
O que a C&A entregou no ciclo Energia
A XP avalia que a companhia entra no novo ciclo com capacidades operacionais mais fortes. Segundo a análise, o programa anterior resultou em crescimento de aproximadamente 30% nas vendas de vestuário, além de uma expansão acumulada de cerca de cinco pontos percentuais na margem bruta do varejo.
Outro avanço citado foi a migração para uma posição de caixa líquido. Isso significa que, consideradas as disponibilidades financeiras e as dívidas, a empresa passou a ter mais recursos em caixa do que obrigações financeiras, o que pode ampliar sua capacidade de investir.
Execução e cenário econômico ainda são riscos
O Bradesco BBI considera realistas as ambições do “Full Power” e destaca a credibilidade construída pela empresa na execução dos planos anteriores. O banco também afirma que as ações são negociadas a 4,5 vezes o lucro projetado para 2027, um múltiplo que relaciona o preço de mercado ao lucro esperado.
A avaliação, porém, não elimina os riscos. A C&A reconheceu a concorrência mais intensa, o ambiente macroeconômico complexo e a pressão de empresas estrangeiras que vendem diretamente ao consumidor brasileiro. Para a XP, a visão de longo prazo é construtiva, mas há cautela no curto prazo.
Para quem acompanha a ação, o próximo ponto de atenção será a capacidade de transformar as metas em vendas, margens e retorno. A companhia estabeleceu um ROIC mínimo superior a 18% para novos projetos — indicador que mede o retorno obtido sobre o capital investido — e vinculou a remuneração dos executivos à criação de valor no longo prazo. O desempenho operacional e a evolução do C&A Pay deverão indicar se o potencial estimado pelos bancos será confirmado.
