O BTG Pactual avalia que o Ibovespa ainda pode subir até 30% depois do rali provocado pelo primeiro turno das eleições. O potencial, porém, depende de novas quedas nos juros de longo prazo e de uma melhora na percepção sobre a situação fiscal do país; não é uma previsão de que a alta ocorrerá automaticamente. Para o banco, as pesquisas eleitorais devem ditar o ritmo dos próximos movimentos.
Desconto em relação à média sustenta a estimativa
Após avançar 12,7% em dólar no pregão seguinte ao primeiro turno, a Bolsa ainda teria espaço para se valorizar, segundo o BTG. O cálculo do banco considera ações brasileiras sem Petrobras e Vale: elas eram negociadas a 11,1 vezes o lucro projetado para os 12 meses seguintes, cerca de 7% abaixo da média histórica.
O cenário de alta de até 30% considera que o Ibovespa chegaria a um desvio-padrão acima dessa média. Em termos simples, seria uma valorização que levaria o índice a um patamar mais alto do que o habitual em relação à referência histórica. O BTG considera esse caminho possível caso os juros longos recuem, mas a estimativa depende dessas condições e não equivale a uma garantia de retorno.
Pesquisas do segundo turno podem definir o ritmo
O banco espera que os ganhos sejam mais graduais nas próximas semanas, porque a disputa presidencial continua em aberto. Flávio Bolsonaro superou Luiz Inácio Lula da Silva por cerca de 2 pontos percentuais no primeiro turno, mas o BTG ressalta que o presidente segue competitivo.
Um fator citado na análise é que cerca de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno. As pesquisas para a etapa decisiva da eleição devem, por isso, ganhar importância. Na avaliação do banco, se os levantamentos indicarem que Flávio abriu vantagem de 4 a 5 pontos percentuais, o desempenho positivo da Bolsa pode continuar.
Ajuste fiscal será importante para manter a valorização
O resultado eleitoral, por si só, não seria suficiente para sustentar uma reavaliação duradoura dos ativos brasileiros. O BTG aponta a composição do próximo ministério e a apresentação de medidas para conter a expansão dos gastos públicos como fatores que podem influenciar a confiança dos investidores.
Desde o primeiro turno, as taxas reais de juros de longo prazo caíram cerca de 100 pontos-base, ou 1 ponto percentual. Se o mercado enxergar maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas, essa queda pode ganhar força. Juros longos menores tendem a tornar ações mais atraentes em comparação com investimentos de renda fixa e a reduzir o custo de financiamento das empresas.
O que juros menores podem mudar para empresas e investidores
O movimento também pode abrir espaço para o Banco Central acelerar os cortes da Selic, caso as expectativas de inflação continuem comportadas. O Boletim Focus projeta a taxa em 12% ao fim de 2027; já o BTG considera possível que ela fique entre 10% e 11% nesse cenário. A faixa é uma avaliação do banco, não uma decisão do BC.
Quando a Selic cai, aplicações atreladas a juros tendem a oferecer rendimentos menores em novas condições, enquanto o crédito pode ficar mais barato gradualmente. Para as empresas, custos menores e uma economia mais forte podem favorecer investimentos e lucros, o que ajuda a explicar o interesse pela Bolsa. A intensidade desses efeitos depende da inflação, das decisões do Banco Central e da confiança na política fiscal.
Próximos passos dependem do cenário político e econômico
Para quem acompanha investimentos, a análise do BTG combina uma Bolsa ainda descontada com riscos que podem alterar as expectativas rapidamente. As próximas pesquisas, a formação do futuro gabinete e as propostas para as contas públicas serão sinais importantes para avaliar se o rali tem condições de continuar ou se perde força.
O banco vê potencial de alta expressivo, mas condicionado a juros menores e a uma percepção fiscal mais favorável. Uma eventual valorização não elimina a possibilidade de oscilações: enquanto a eleição não estiver definida e as medidas econômicas não forem conhecidas, o mercado pode reagir a cada mudança nas pesquisas e nas expectativas de juros.
Impacto para a sociedade
Uma queda mais persistente dos juros pode reduzir o custo de empréstimos e financiamentos, embora esse efeito dependa das decisões do Banco Central e das condições de crédito. Para quem investe, juros menores também podem reduzir o rendimento de novas aplicações de renda fixa e favorecer empresas na Bolsa, mas esses movimentos não são garantidos.
