O BTG Pactual manteve, sem alterações, as 10 ações de sua carteira recomendada para outubro e avaliou que a seleção está equilibrada para diferentes cenários eleitorais. A estratégia combina empresas ligadas a juros mais baixos com posições que podem ajudar a proteger o portfólio se as taxas longas ou o câmbio pressionarem o mercado.

Carteira preserva dez ações e supera o Ibovespa em setembro

A seleção reúne Petrobras (PETR4), Itaú (ITUB4), Axia Energia (AXIA3), Sabesp (SBSP3), Rede D’Or (RDOR3), Embraer (EMBJ3), Eneva (ENEV3), Gerdau (GGBR4), Motiva (MOTV3) e Cury (CURY3). Petrobras tem peso de 15%; Itaú, 10%; e cada uma das outras sete ações, também 10%, com Cury representando os 5% restantes.

Em setembro, a carteira avançou 6,6%, acima dos 5% de alta do Ibovespa no mesmo mês. O resultado passado, porém, não indica como os papéis vão se comportar em outubro nem garante retorno futuro. A manutenção da composição sinaliza que o banco não mudou sua leitura sobre o equilíbrio entre os riscos considerados.

Juros longos e câmbio orientam a estratégia

Metade da carteira está em serviços básicos, infraestrutura e empresas cujos resultados podem se estender por muitos anos: Axia, Eneva, Sabesp, Motiva e Rede D’Or. Itaú representa 10% em ações financeiras; Embraer e Gerdau somam 20% em posições ligadas ao câmbio; Petrobras responde por 15%, associada a petróleo, moeda e dividendos; e Cury completa os 5% ligados a construtoras de baixa renda e distribuição de proventos.

O banco afirma que juros de longo prazo e ações já incorporam uma quantidade considerável de risco fiscal, enquanto o real ainda não refletiria tanto esse risco. Taxas longas menores tendem a favorecer empresas cujo valor depende de receitas esperadas ao longo do tempo, além de apoiar setores financeiro e imobiliário. Se os juros não caírem, empresas com exposição cambial e Petrobras podem oferecer alguma proteção, segundo a avaliação do BTG.

Banco traça resultados distintos para cada cenário eleitoral

Na hipótese de vitória de Flávio Bolsonaro, o BTG calcula que as ações brasileiras poderiam retornar à média histórica de valuation dos últimos dez anos, o que corresponderia a uma alta potencial de 11% a 20% em reais. Se o Ibovespa avançasse até um desvio-padrão acima dessa média — um nível mais distante do comportamento histórico —, o potencial estimado ficaria entre 32% e 45%.

Já uma reeleição de Lula poderia, na leitura do banco, provocar correção de cerca de 10% no Ibovespa e desvalorização adicional de aproximadamente 10% do real. São projeções condicionais, não previsões certas. A combinação de ativos da carteira busca atravessar essas possibilidades sem apostar exclusivamente em um resultado eleitoral.

Setores que poderiam se destacar em cada hipótese

Em um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, os analistas apontam potencial de melhor desempenho para varejistas, construtoras de médio e alto padrão, empresas ligadas ao mercado de capitais e companhias mais endividadas. Entre os exemplos citados estão Renner, C&A, Assaí, Cyrela, B3, XP e Localiza. Até em setores defensivos, dizem, empresas mais alavancadas poderiam se beneficiar; como exemplos, mencionam Equatorial no lugar de Sabesp e Ecorodovias no lugar de Motiva.

Em caso de reeleição de Lula, o banco vê vantagem possível para exportadoras, construtoras de baixa renda, seguradoras, empresas pagadoras de dividendos e companhias com pouca dívida. Embraer, Gerdau, WEG, Vale, Petrobras, Cury, Caixa Seguridade, Allos e TIM aparecem entre os nomes relacionados a esse cenário. A carteira de outubro mantém exposições a parte desses grupos, mas não inclui todos os papéis citados.

O que acompanhar até a eleição

Para quem investe, a avaliação reforça que juros de longo prazo, câmbio e expectativas eleitorais podem influenciar setores de maneiras diferentes. Uma alta potencial estimada para o mercado como um todo não significa que todas as ações avancem, assim como uma eventual correção do índice não determina o desempenho de cada empresa.

O próximo ponto de atenção é como as expectativas sobre os cenários eleitorais se refletirão nos preços e nas taxas de mercado. A carteira permanece inalterada em outubro, mas as estimativas do BTG dependem de hipóteses econômicas e políticas; por isso, não devem ser interpretadas como garantia de retorno nem como recomendação individual de investimento.