O BTG Pactual incluiu Copasa (CSMG3), Sabesp (SBSP3) e Petrobras (PETR4) entre as ações que podem acompanhar uma nova alta do Ibovespa. A indicação surge após a forte valorização recente da Bolsa e se apoia na avaliação do banco de que ainda há espaço para ganhos, embora o cenário dependa das expectativas para a economia e a política.

As três ações e os movimentos recentes

Os números reunidos pelo BTG mostram que os papéis já tiveram desempenhos diferentes. Na variação de um dia apresentada pelo banco, Sabesp subiu 11,6%, Copasa avançou 8,5% e Petrobras ganhou 8,2%. No acumulado de 30 dias, as altas foram, respectivamente, de 18,7%, 9,6% e 17,5%.

Desde o início do ano, até a data considerada no levantamento, Petrobras acumulava valorização de 91,0%. Copasa avançava 41,7%, enquanto Sabesp subia 18,9%. Os percentuais mostram que parte do movimento já ocorreu, mas não significam que as ações terão desempenho semelhante daqui para a frente.

O que sustenta a expectativa de valorização

O BTG estima que o Ibovespa possa subir até 30%. Para embasar a visão, o banco observa que as ações brasileiras, excluídas Petrobras e Vale, eram negociadas a 11,1 vezes o lucro projetado para os 12 meses seguintes. Esse múltiplo estava cerca de 7% abaixo da média histórica, uma diferença que, na avaliação da instituição, pode deixar espaço para reprecificação.

A perspectiva também considera um possível ambiente de queda dos juros e melhora das expectativas econômicas. Quando os juros recuam, aplicações de renda fixa podem oferecer retornos menores, o que tende a aumentar a procura por ativos de risco. Além disso, crédito mais barato pode favorecer a atividade e os resultados das empresas, embora esse efeito dependa da concretização do cenário.

Expectativas políticas pesaram no rali

A avaliação do banco ocorre depois de um avanço de 7,70% do Ibovespa em uma sessão recente. O movimento foi associado à percepção de que o senador Flávio Bolsonaro havia se tornado favorito na disputa presidencial, após aparecer cerca de dois pontos percentuais à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pesquisa sobre o primeiro turno.

Essa leitura é uma expectativa de mercado, não uma garantia sobre o resultado eleitoral ou sobre futuras decisões de governo. Mudanças na percepção dos investidores sobre a política econômica podem alterar preços rapidamente. Por isso, o potencial de alta calculado pelo BTG deve ser entendido como uma estimativa condicionada a premissas, e não como previsão certa.

Uma lista ampla, não uma promessa de retorno

Copasa, Sabesp e Petrobras aparecem em um conjunto mais amplo de empresas citadas pelo banco, que também inclui companhias de setores como energia, varejo, educação e construção. O argumento geral é que empresas consideradas de qualidade poderiam se beneficiar de juros menores e de expectativas econômicas mais favoráveis.

A indicação não elimina riscos próprios de cada companhia nem os efeitos de mudanças no mercado. No caso das três ações, os dados de desempenho recente ajudam a dimensionar o movimento já ocorrido, mas não permitem concluir, por si só, qual será o retorno futuro. O investidor precisa distinguir a tese geral de valorização da Bolsa dos fatores específicos que podem afetar cada empresa.

O que acompanhar antes dos próximos movimentos

Para quem investe, o ponto central é observar se as condições que sustentam a projeção do BTG se confirmam: a trajetória dos juros, as expectativas para a economia e a evolução do cenário político. Se essas premissas mudarem, a estimativa de alta e o comportamento das ações também podem mudar.

A lista do banco oferece uma fotografia de como algumas empresas podem se encaixar em um cenário positivo para a Bolsa, mas não constitui garantia de ganho nem recomendação individual. Os próximos movimentos dependerão tanto do ambiente geral quanto dos resultados e riscos de cada companhia.