O Banco de Brasília (BRB) afastou cautelarmente cinco funcionários citados em investigações internas relacionadas às operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A medida foi autorizada pelo Conselho de Administração e amplia as providências internas do banco para apurar responsabilidades em transações que, segundo a Polícia Federal, envolveram carteiras de R$ 17,5 bilhões.

Como funciona o afastamento preventivo

O afastamento foi determinado pela corregedoria do BRB, com aval do conselho, enquanto o processo interno continua em andamento. Os nomes e os cargos dos empregados não foram divulgados.

O banco afirmou que a decisão tem caráter cautelar, ou seja, busca preservar a apuração e evitar interferências no processo. A instituição ressaltou que a medida não representa uma conclusão sobre a responsabilidade dos funcionários nem antecipa o resultado das investigações.

O que está sendo investigado no BRB

As apurações internas estão relacionadas às transações realizadas entre o BRB e o Banco Master, que foi posteriormente liquidado pelo Banco Central. A liquidação encerra as atividades da instituição e inicia um processo para organizar seus ativos, dívidas e pagamentos aos credores dentro das regras aplicáveis.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação apontou uma possível gestão fraudulenta envolvendo ex-dirigentes do BRB e operações com o Master. O relatório também afirma que o banco brasiliense tinha acesso a sinais prudenciais, financeiros e reputacionais relevantes sobre a situação do parceiro, mas não demonstrou ter considerado essas informações no processo decisório.

Por que os R$ 17,5 bilhões são relevantes

O valor de R$ 17,5 bilhões corresponde às carteiras mencionadas pela Polícia Federal no conjunto das operações investigadas. Carteiras são conjuntos de créditos, recebíveis ou outros ativos que podem gerar pagamentos no futuro. Quando a qualidade desses ativos é questionada, aumenta o risco de perdas para a instituição que os comprou ou aceitou como garantia.

O problema é especialmente sensível para o BRB porque eventuais perdas podem reduzir seu patrimônio e sua capacidade de operar. O banco precisa avaliar quanto desses ativos poderá ser recuperado e quanto eventualmente terá de ser reconhecido como prejuízo, conforme o avanço das análises e dos processos.

Ações contra antigos gestores podem ser o próximo passo

Em agosto, os acionistas do BRB autorizaram a instituição a buscar na Justiça a responsabilização de ex-gestores considerados responsáveis por eventuais prejuízos. O banco tem prazo de 90 dias a partir da aprovação para definir quais pessoas poderão ser incluídas nessa medida.

Essa frente judicial é diferente da investigação interna que levou ao afastamento dos cinco funcionários. A apuração administrativa pode reunir documentos, identificar decisões e avaliar condutas, enquanto uma ação judicial buscaria recuperar valores ou obter indenização caso sejam comprovados danos e responsabilidades.

O que acontece agora para o banco e os investidores

O afastamento não encerra a investigação e não define, por si só, se houve irregularidade por parte dos empregados. Os próximos passos dependem da conclusão do processo interno, da análise dos ativos ligados às operações e das decisões sobre possíveis medidas judiciais contra antigos administradores.

Para quem acompanha o BRB, o ponto central é a capacidade do banco de dimensionar as perdas, recuperar recursos e reforçar seus controles de crédito e governança. Como o Banco Master já foi liquidado, a recuperação de valores dependerá também do processo de liquidação e das medidas adotadas pelo governo do Distrito Federal e pelo próprio BRB.