As ações da Braskem (BRKM5) chegaram a subir 8,05%, para R$ 5,77, nesta sexta-feira (14), após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026. O resultado mostrou forte recuperação operacional, mas o Citi mantém recomendação de venda e preço-alvo de R$ 4,50, sinalizando potencial de queda de 15,7% em relação ao fechamento de quinta-feira (13).
Lucro e Ebitda avançam com melhora do setor químico
A Braskem registrou lucro líquido de R$ 3,33 bilhões entre abril e junho de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 267 milhões apurado no segundo trimestre do ano passado. A receita líquida cresceu 22% na comparação anual, para R$ 21,72 bilhões, beneficiada pela alta dos preços internacionais e pela melhora das margens do setor.
O Ebitda recorrente, indicador que mede a geração de caixa da operação antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 5,25 bilhões no trimestre, contra R$ 427 milhões um ano antes. Em dólares, o resultado alcançou US$ 1,04 bilhão.
Spreads maiores e créditos tributários explicam o salto
O principal fator por trás da melhora foi a expansão dos spreads internacionais em todos os segmentos. Esse spread representa, de forma simplificada, a diferença entre o preço de venda dos produtos petroquímicos e o custo das matérias-primas usadas para fabricá-los. Quando essa diferença aumenta, a empresa tende a obter mais margem por unidade vendida.
A companhia também foi beneficiada por US$ 115 milhões em créditos tributários relacionados ao Regime Especial da Indústria Química (REIQ). O mecanismo reduz a carga tributária do setor e, neste trimestre, teve efeito positivo relevante sobre o desempenho reportado.
Por que o Citi continua vendo risco elevado
Na avaliação do banco, a melhora operacional não foi suficiente para resolver os problemas financeiros da Braskem. A alavancagem ajustada, que compara a dívida com a capacidade de geração de caixa, caiu para 6,74 vezes, ante 11,62 vezes um ano antes e 18,18 vezes no primeiro trimestre de 2026. A queda ocorreu principalmente porque o Ebitda dos últimos 12 meses aumentou.
Apesar disso, a dívida líquida ajustada subiu 24% em 12 meses, para US$ 9,43 bilhões. A companhia também continua enfrentando necessidades de capital de giro e pressão sobre a liquidez, que é o dinheiro disponível para cumprir compromissos de curto prazo. Uma liquidação de R$ 929 milhões em obrigações comerciais garantidas por cartas de crédito segue drenando o caixa.
Reestruturação da dívida permanece no centro das atenções
A Braskem entrou com um pedido de tutela cautelar no Brasil e de proteção prevista no Chapter 15 nos Estados Unidos. O objetivo é suspender execuções de dívidas por 60 dias, enquanto a empresa negocia com credores financeiros um plano de reestruturação.
O processo ganhou urgência após as classificações de crédito da companhia serem rebaixadas para C/D pela Fitch e pela S&P, níveis que refletem o risco crítico de crédito. Também existe a expectativa de que as negociações com os credores terminem em um acordo para uma recuperação extrajudicial, evitando, neste momento, um pedido de recuperação judicial. O prazo para as tratativas expira em cerca de dez dias.
O que o investidor deve acompanhar daqui para frente
Por volta das 12h42, BRKM5 subia 1,31%, para R$ 5,41, depois de ter atingido a máxima de R$ 5,77. A reação mostra que o mercado recebeu bem os números operacionais, mas a redução do ganho ao longo do pregão indica que os investidores continuam ponderando o endividamento e a situação de caixa.
O próximo ponto decisivo tende a ser o resultado das negociações com os credores. Enquanto a recuperação dos spreads pode sustentar a operação, a dívida elevada e as obrigações de curto prazo continuam limitando o efeito positivo do balanço sobre as ações. A projeção do Citi, portanto, combina reconhecimento da melhora no trimestre com uma visão ainda negativa sobre a estrutura financeira da empresa.
