As ações da Braskem (BRKM5) ampliaram as perdas nesta terça-feira (25), enquanto uma possível ampliação de crédito com a Petrobras passou a fazer parte das discussões da recuperação extrajudicial da petroquímica. Às 15h35, os papéis recuavam 8,25%, a R$ 4,34, após atingirem queda de 10,78% no pior momento do pregão, refletindo a preocupação do mercado com a reestruturação de US$ 10,9 bilhões em dívidas.

Crédito de R$ 2,35 bilhões com a Petrobras entra nas negociações

A Braskem tornou públicas informações que vinham sendo compartilhadas de forma confidencial com alguns investidores. Entre elas está a negociação para ampliar em R$ 2,35 bilhões o limite de crédito comercial concedido pela Petrobras, para a compra de matérias-primas vinculadas a determinados contratos.

A linha teria prazo até 31 de dezembro de 2026 e permitiria pagamentos em até 30 dias. Na prática, o mecanismo daria algum fôlego ao capital de giro da Braskem, isto é, aos recursos necessários para manter a operação funcionando enquanto a empresa tenta reorganizar suas dívidas.

Entendimento ainda depende de aprovações e condições

O possível acordo depende da aprovação das instâncias de governança da Petrobras, da conclusão dos documentos contratuais e do protocolo do processo de reestruturação extrajudicial acompanhado de um plano aprovado por pelo menos um terço dos credores sujeitos a ele.

O limite também estaria condicionado aos contratos comerciais, incluindo o custo para estender o prazo de pagamento. A Petrobras poderia suspender a linha caso não fosse mantido um fluxo mínimo mensal de recebíveis. O documento ainda prevê eventos que poderiam antecipar o vencimento das obrigações, como inadimplência, liquidação ou vencimento antecipado de dívidas financeiras.

Por que o mercado considera o crédito insuficiente

Na avaliação do Bradesco BBI, a Petrobras provavelmente terá de anunciar formalmente a linha por razões de governança. Embora o recurso possa aliviar a liquidez no curto prazo, o banco considera que o endividamento da Braskem continua elevado demais para que a medida tenha efeito relevante sobre a situação financeira da companhia.

A crise combina uma fase de baixa do setor petroquímico, aumento da dívida em relação à geração de caixa, passivos ligados ao afundamento de solo em Maceió e problemas de liquidez. A análise do BBI indica que o plano deverá se concentrar na conversão de dívida em ações, operação que reduz a dívida, mas pode diluir a participação dos acionistas atuais.

Exclusão de índices pode aumentar a pressão vendedora

A B3 informou que as ações da Braskem serão excluídas dos índices da bolsa pelo preço de fechamento desta terça-feira, depois do encerramento do pregão regular. O Bradesco BBI espera uma pressão adicional de venda como consequência da retirada.

Isso ocorre porque fundos que acompanham automaticamente a composição de índices precisam ajustar suas carteiras quando um papel deixa de fazer parte desses indicadores. Esse movimento pode aumentar a oferta de ações no mercado, independentemente de uma mudança imediata no valor econômico da empresa.

Próximos passos da recuperação extrajudicial

A Braskem confirmou na segunda-feira (24) a recuperação extrajudicial com adesão inicial de 39,6% dos credores. A empresa terá mais 90 dias de proteção para formular o plano final, que precisa alcançar apoio de 50% mais um dos credores sujeitos à reestruturação.

Diferentemente da recuperação judicial, a modalidade extrajudicial permite renegociar as dívidas diretamente com os credores. O plano prevê alongamento dos prazos e capitalização dos juros durante um período de carência, chamado de alívio financeiro, enquanto a companhia reorganiza sua estrutura. Petrobras e o fundo Shine I apoiam a medida e podem participar de aportes caso as metas de recuperação não sejam alcançadas. Para quem acompanha BRKM5, os próximos marcos são a formalização do crédito, a aprovação do plano e a adesão necessária dos credores.