Braskem (BRKM5), Banco do Brasil (BBAS3), Vale (VALE3), Americanas (AMER3) e Hapvida (HAPV3) estão entre os destaques corporativos do pregão desta quinta-feira (13). O conjunto reúne desde a possibilidade de uma recuperação extrajudicial para a petroquímica até balanços, distribuição de proventos e novos investimentos operacionais, oferecendo aos investidores sinais diferentes sobre endividamento, rentabilidade e expansão das companhias.

Braskem avalia recuperação extrajudicial para reorganizar dívidas

A Braskem está em discussões avançadas para um possível pedido de recuperação extrajudicial, mecanismo que permite à empresa negociar diretamente com credores um plano para reorganizar suas dívidas, sem que todos os termos precisem ser definidos inicialmente em um processo judicial. A medida pode ser protocolada ainda em agosto e envolveria mais de US$ 10 bilhões em obrigações das operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

A companhia é controlada pela gestora de private equity IG4 Capital e pela Petrobras (PETR4). As negociações ocorrem antes de 24 de agosto, data em que expira a proteção obtida por uma medida cautelar em junho. Essa proteção limita temporariamente determinadas ações de cobrança enquanto a empresa tenta construir uma solução com os credores. A eventual recuperação extrajudicial ainda depende da evolução das tratativas.

Banco do Brasil supera expectativa e anuncia juros sobre capital

O Banco do Brasil encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e avanço de 13,9% sobre os três primeiros meses de 2026. O resultado superou o consenso da Bloomberg, que projetava lucro de R$ 3,5 bilhões.

O desempenho veio mesmo com pressão da inadimplência e aumento das provisões, reservas que os bancos formam para absorver possíveis perdas com calotes. A tesouraria, área responsável pela gestão financeira e de investimentos do banco, ajudou o resultado: avançou 2,1% no trimestre e 10% em um ano, para R$ 9 bilhões.

O BB também anunciou a distribuição de R$ 584,9 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP), equivalente a R$ 0,10 por ação. O pagamento está previsto para 11 de setembro aos acionistas registrados em 1º de setembro. As ações passam a ser negociadas “ex” proventos a partir de 2 de setembro, ou seja, sem direito a esse pagamento para quem comprar a partir dessa data.

Vale antecipa projeto de cobre no Pará

A Vale Base Metals, subsidiária da mineradora, informou que pretende iniciar no primeiro semestre de 2028 a operação do projeto de Flotação de Partículas Grossas no Complexo de Cobre Salobo, no Pará. O cronograma representa uma antecipação de aproximadamente um ano em relação ao plano original.

O projeto acrescentará 6 milhões de toneladas à capacidade anual de processamento de minério da unidade, elevando o total para 42 milhões de toneladas. A empresa estima aumento de até aproximadamente 30 mil toneladas anuais de cobre contido em concentrado, além de cerca de 15 mil onças de ouro como subproduto.

Americanas e Hapvida mostram pressão nos resultados

A Americanas registrou prejuízo líquido de R$ 274 milhões no segundo trimestre de 2026, quase o triplo dos R$ 98 milhões negativos apurados no mesmo período de 2025. O Ebitda ajustado, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, caiu 51,5%, para R$ 145 milhões, ante R$ 299 milhões um ano antes.

Na Hapvida, o lucro líquido ajustado recuou 95,8% na comparação anual, para R$ 12,5 milhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 504,4 milhões, queda de 44,3% em relação ao segundo trimestre de 2025, sinalizando forte deterioração do desempenho operacional.

O que os destaques indicam para o investidor

Os eventos têm efeitos distintos sobre os papéis. No Banco do Brasil, o lucro acima do esperado e o JCP podem influenciar a percepção sobre a capacidade de geração de resultados, embora a inadimplência continue sendo um ponto de atenção. Na Vale, a antecipação do projeto reforça a perspectiva de expansão da produção futura de cobre e ouro.

Já a Braskem permanece associada à incerteza sobre sua estrutura financeira, enquanto Americanas e Hapvida enfrentam quedas expressivas em seus resultados. O próximo passo será acompanhar a formalização — ou não — do plano da Braskem e a reação dos investidores aos balanços e às projeções operacionais de cada companhia.