O Banco Central divulgou nesta terça-feira (11) que R$ 5,12 bilhões continuam esquecidos em instituições financeiras do Brasil. Desse total, R$ 3,76 bilhões pertencem a 22,66 milhões de pessoas físicas e R$ 1,35 bilhão a 2 milhões de empresas. Dos R$ 20,93 bilhões que chegaram a ficar parados em bancos, consórcios, corretoras e financeiras, o BC informa que R$ 15,81 bilhões já foram devolvidos.

O que mostram os números do levantamento

Dos valores já sacados, R$ 11,65 bilhões foram para 38,73 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 4,15 bilhões foram destinados a 4,7 milhões de pessoas jurídicas. Ou seja: a maior parte do dinheiro que estava esquecido e foi recuperada saiu por meio de pessoas físicas.

Na fila do que ainda falta resgatar, a maioria dos valores é baixa. Para cerca de 18,5 milhões de beneficiários, o total devido é de até R$ 10 — o equivalente a aproximadamente 70% do total. Outros 4,96 milhões de usuários têm valores entre R$ 10,01 e R$ 100. Acima disso, o dinheiro esquecido pertence a cerca de 3 milhões de beneficiários.

De onde vêm esses valores esquecidos

O Sistema Valores a Receber (SVR) reúne recursos que ficaram para trás por diferentes razões. Entre elas estão:

  • contas-correntes ou poupanças encerradas;
  • cotas de capital e rateio de sobras líquidas de ex-participantes de cooperativas de crédito;
  • recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados;
  • tarifas cobradas indevidamente;
  • parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas indevidamente;
  • contas de pagamento pré ou pós-pagado encerradas;
  • contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas.

O sistema também permite consultar se uma pessoa morta ou uma empresa, inclusive já fechada, tem valores a receber.

Como consultar e resgatar os valores

Para consultar, não é preciso fazer login. Basta informar o CPF e a data de nascimento ou o CNPJ e a data de abertura da empresa. Se houver algum valor em aberto, o acesso deve ser feito com a conta Gov.br nos níveis prata ou ouro, com verificação em duas etapas.

O resgate pode ser feito de três formas: solicitando diretamente à instituição responsável; requerendo pelo próprio SVR; ou pedindo o resgate automático de valores. O processo é gratuito e a devolução é feita ao titular do dinheiro.

O que mostram os resgates recentes

As pessoas ainda sacam parte do dinheiro esquecido. Em junho, foram devolvidos R$ 340 milhões; em maio, R$ 427 milhões; e em abril, R$ 483 milhões. Esses números mostram que o dinheiro está sendo resgatado, mas o volume emblemático de valores detalhados ainda domina a fila de espera.

O que fazer daqui para frente

Para quem nunca consultou, o ponto de partida é verificar se há saldo no próprio nome ou na empresa. A consulta é gratuita e não exige criar uma conta para isso. Já para quem encontra algum valor, é preciso entrar no SVR com autenticação Gov.br e seguir as instruções para pedir a devolução.

Os números devem continuar às autoridades no correr dos próximos meses, e o Banco Central segue mostrando quanto já foi recuperado. O passo mais para cada cidadão é conferir o próprio CPF e não deixar o dinheiro parado.

Impacto para a sociedade

O levantamento do Banco Central afeta diretamente o bolso de um grupo expressivo: 22,66 milhões de pessoas físicas têm R$ 3,76 bilhões parados em contas e instituições financeiras. Para a maioria dos beneficiários, o valor devido é pequeno, mas a consulta é gratuita e pode recuperar recursos de tarifas cobradas indevidamente ou de contas encerradas. Quem não acessar o sistema, simplesmente deixa esse dinheiro parado.