O Brasil recebeu US$ 77,67 bilhões em investimento estrangeiro direto (IED) em 2025, enquanto brasileiros ampliaram a busca por residência e oportunidades de investimento no Paraguai. O fluxo para o Brasil cresceu 4,8% em relação aos US$ 74,1 bilhões registrados em 2024 e representou 40% de todo o capital estrangeiro destinado à América Latina, de acordo com o relatório “Programas de Migração por Investimento na América Latina: Uma Análise Comparativa”, da Global Citizen Solutions.
Brasil concentra capital estrangeiro na América Latina
O IED corresponde ao dinheiro aplicado por empresas e investidores estrangeiros em negócios, operações produtivas, infraestrutura ou aquisições em outro país. Diferentemente de investimentos financeiros de curto prazo, esse tipo de capital tende a estar ligado à expansão de empresas e à criação ou compra de ativos no mercado local.
A liderança brasileira é atribuída ao tamanho e ao dinamismo da economia, além da diversidade de setores capazes de receber recursos. Agronegócio, mineração e indústria continuam relevantes, mas passaram a dividir espaço com tecnologia, inteligência artificial, data centers, energia e infraestrutura digital.
Tecnologia, energia limpa e aquisições puxam os aportes
A transição para uma economia mais digital e de menor emissão de carbono tem alterado o perfil do capital que chega ao país. Projetos ligados à computação, ao armazenamento e processamento de dados e à geração de energia limpa ganharam importância na decisão dos investidores internacionais.
As operações de fusões e aquisições (M&A), que envolvem a compra, venda ou combinação de empresas, também movimentaram aproximadamente US$ 58 bilhões no Brasil. Esse volume mostra que parte relevante dos recursos não está necessariamente na construção de novas fábricas ou projetos, mas na aquisição de negócios já existentes e na reorganização de grupos empresariais.
Volume recebido não garante liderança em residência
Apesar de concentrar 40% do IED latino-americano, o Brasil ficou apenas na sétima posição entre 11 programas de residência por investimento avaliados. O ranking considera velocidade de processamento, atratividade fiscal, flexibilidade dos investimentos e exigência de presença física no país.
O Panamá liderou, com 84,4 pontos, seguido pelo Paraguai, com 80,1. Na sequência apareceram República Dominicana, Costa Rica, Equador, Uruguai, Brasil, Colômbia, México e Peru. A diferença indica que atrair empresas e capital produtivo é uma questão distinta de oferecer um programa simples e competitivo para estrangeiros que desejam morar no país.
Por que brasileiros estão olhando para o Paraguai
O Paraguai ganhou espaço ao combinar tributação mais baixa e exigências reduzidas de presença física. Em um período de seis meses considerado pelo estudo, brasileiros responderam por 76% das residências concedidas pelo país, o equivalente a cerca de 22.600 pessoas.
Esse movimento ocorre em um cenário de menor oferta de alternativas na Europa. A Espanha encerrou seu Golden Visa em 2025, Portugal retirou a rota imobiliária de seu programa e a Grécia elevou de € 250 mil para € 800 mil o investimento exigido em áreas nobres.
O que pode mudar para investidores e empresas
Para o Brasil, a entrada de capital estrangeiro amplia o financiamento disponível para setores estratégicos e pode fortalecer empresas, infraestrutura e tecnologia. O efeito, porém, depende de como esses recursos são aplicados: uma aquisição muda o controle de um negócio, enquanto um novo projeto pode aumentar diretamente a capacidade produtiva.
O relatório aponta que o país tem regras consideradas favoráveis, mas ainda divulga pouco suas opções de residência no exterior. O próximo desafio, portanto, é transformar a liderança no recebimento de capital em maior capacidade de atrair também empreendedores e investidores que buscam estabelecer residência na América Latina.
