O Brasil pode enfrentar ao menos seis ondas de calor até o fim de 2026, em um cenário associado ao fenômeno El Niño, segundo estimativa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O padrão climático tende a elevar as temperaturas e a favorecer períodos de seca, mas também pode aumentar a ocorrência de chuvas intensas em diferentes regiões.
Como o Cemaden define uma onda de calor
Para o Cemaden, uma onda de calor ocorre quando as temperaturas máxima e mínima permanecem acima da média esperada para determinada época durante pelo menos três dias consecutivos. A definição, portanto, não considera apenas um dia isolado de calor, mas uma sequência capaz de prolongar os efeitos sobre a população e os serviços.
A projeção foi elaborada com base na análise de 47 anos de registros de temperatura em períodos marcados pelo El Niño. O levantamento aponta uma frequência maior desses episódios quando o fenômeno está presente, embora a intensidade e a distribuição regional possam variar.
O que aconteceu no último grande episódio de El Niño
O período entre 2023 e 2024 foi o mais quente já registrado no mundo. Entre agosto e dezembro desse intervalo, foram identificadas nove ondas de calor no Brasil, mais que o dobro da média geral brasileira, de quatro episódios.
A comparação ajuda a dimensionar a nova previsão: a estimativa de pelo menos seis ondas até dezembro de 2026 supera a média histórica em dois episódios. O número, porém, é um piso projetado pelo órgão, e não uma indicação de que haverá exatamente seis ocorrências.
Por que o El Niño altera o clima brasileiro
O El Niño começa com o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, próximo às costas do Peru e do Equador. Em condições normais, essa área é relativamente mais fria, enquanto a parte oeste do Pacífico, próxima à Indonésia e à Austrália, concentra águas mais quentes.
Quando essa relação se inverte, a circulação da atmosfera é modificada. A mudança afeta a trajetória dos ventos, a formação de nuvens e a distribuição das chuvas, produzindo efeitos distintos conforme a região. No Brasil, o resultado pode combinar calor persistente e seca em algumas áreas com precipitações intensas em outras.
Os efeitos sobre consumo, trabalho e serviços
Períodos prolongados de temperaturas elevadas aumentam a necessidade de ventilação e refrigeração em casas, empresas e estabelecimentos comerciais. Isso pode alterar a rotina de consumo das famílias e elevar a importância do planejamento para despesas relacionadas ao calor, embora o material não traga uma estimativa para tarifas ou preços.
O calor também afeta trabalhadores expostos ao sol e atividades realizadas ao ar livre, enquanto a seca pode dificultar o abastecimento de água e pressionar setores dependentes das condições climáticas. Na direção oposta, chuvas intensas elevam o risco de alagamentos, deslizamentos e interrupções em serviços públicos, exigindo atuação dos órgãos de emergência.
O que observar até o fim de 2026
A previsão do Cemaden não determina em quais cidades ocorrerão os episódios nem fixa as datas de cada onda de calor. A confirmação dependerá da evolução das temperaturas e das condições atmosféricas nos próximos meses. Por isso, alertas meteorológicos locais serão mais úteis para decisões do dia a dia do que a contagem nacional isolada.
Para quem investe, consome ou trabalha, o principal ponto de atenção é que o El Niño não representa apenas temperaturas mais altas: ele amplia a possibilidade de uma combinação de calor, seca e chuvas extremas. A evolução desses eventos pode afetar custos operacionais, produtividade e demanda por serviços, enquanto famílias e empresas precisarão acompanhar os alertas para se preparar para episódios que tenham impacto direto em sua região.
Impacto para a sociedade
A previsão pode afetar diretamente a rotina das famílias, com mais necessidade de refrigeração, riscos à saúde e impactos sobre o trabalho ao ar livre. A combinação de calor, seca e chuvas intensas também pode pressionar serviços públicos e aumentar a exposição a interrupções no abastecimento e a eventos extremos.
