As ações do Bradesco (BBDC4) avançavam 14,30% nesta segunda-feira (5), para R$ 21,98, por volta das 13h20, em um pregão marcado pela forte queda dos juros futuros. O movimento chama atenção porque o papel subia mais que o Ibovespa, que avançava 8,88%, aos 209.175 pontos, após o primeiro turno das eleições. A máxima intradiária de BBDC4 havia sido de R$ 22,10.

Queda dos juros futuros favorece a avaliação das ações

Os juros futuros refletem as taxas que o mercado espera para diferentes prazos adiante. Quando caem, investidores passam a usar taxas menores para calcular quanto valem hoje os resultados que uma empresa pode gerar no futuro. Mantidas as demais condições, essa redução da taxa de desconto tende a elevar o valor atribuído às ações.

Para o Bradesco, há também um possível efeito sobre os clientes e a carteira de crédito. Condições financeiras menos apertadas podem aliviar a pressão sobre empresas e famílias e, com isso, reduzir o risco de atrasos e calotes. É uma expectativa do mercado, não uma mudança já observada na inadimplência nem um corte automático da Selic ou das taxas cobradas pelos bancos.

Resultado eleitoral mudou as expectativas do mercado

A alta ocorre no primeiro pregão após o primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva por cerca de dois pontos percentuais, contrariando pesquisas divulgadas antes da votação. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro. A nova composição do Congresso também entrou na avaliação dos investidores.

Parte do mercado interpretou o resultado como um possível sinal de maior disciplina fiscal, o que ajudou a reavaliar as perspectivas para juros de longo prazo. Mas o cenário político segue indefinido: a disputa ainda terá segundo turno, e não houve mudança de política econômica. A reação dos ativos traduz expectativas que passaram a ser incorporadas aos preços.

Alta se espalhou por bancos e empresas do mercado financeiro

O movimento não ficou restrito ao Bradesco. Por volta das 13h20, Banco do Brasil (BBAS3) subia 12,23%, Itaú (ITUB4) avançava 11,64% e Itaúsa (ITSA4) ganhava 11,25%. O avanço conjunto indica que a reprecificação alcançou o setor financeiro, embora cada ação tenha suas próprias características e riscos.

As altas eram ainda maiores entre empresas mais ligadas ao mercado de capitais: XPBR31 subia 27,75%, BTG Pactual (BPAC11) avançava 26,99% e B3 (B3SA3) ganhava 26,89%. Essas companhias podem se beneficiar de uma eventual migração de recursos da renda fixa para ações, que tende a aumentar a negociação e a procura por serviços de investimento. A possibilidade, porém, depende de o movimento se sustentar.

Liquidez dos grandes bancos atrai investidores estrangeiros

Outro fator apontado por analistas é a liquidez das ações dos grandes bancos. Por serem empresas de grande porte, com papéis negociados com frequência, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil podem servir como uma forma de investidores estrangeiros ampliarem rapidamente a exposição ao mercado brasileiro. Isso ajuda a entender por que os bancos avançaram mais que o índice, mas não permite atribuir toda a alta a um único fluxo de recursos.

O desempenho desta segunda-feira também não elimina a incerteza sobre a trajetória fiscal ou sobre os juros. A cotação reflete uma leitura momentânea dos investidores, que pode mudar conforme novas informações políticas e econômicas apareçam.

Segundo turno será o próximo teste para as expectativas

Para quem acompanha investimentos, o avanço de BBDC4 mostra como expectativas sobre juros e política fiscal podem mexer rapidamente com as ações. A queda dos juros futuros não significa que o custo do crédito ao consumidor já diminuiu, nem garante que os ganhos da Bolsa continuarão nos próximos pregões.

Até o segundo turno, em 25 de outubro, os preços devem seguir sujeitos a revisões conforme o cenário eleitoral e as perspectivas para a economia. Para trabalhadores e consumidores, os efeitos sobre crédito e atividade dependem de mudanças concretas nas condições financeiras; por enquanto, o destaque é a reação dos mercados às possibilidades consideradas pelos investidores.