O Bradesco BBI elevou a recomendação da Petrobras (PETR4) de neutra para compra e manteve o preço-alvo de R$ 53 para o fim de 2027. Considerando a valorização esperada e os dividendos, o banco estima retorno total de 25% para a ação, após a queda recente dos papéis ter ampliado, em sua avaliação, a diferença entre os riscos e os ganhos potenciais.
Queda do petróleo abriu espaço para uma visão mais otimista
A baixa das ações foi pressionada principalmente pelo recuo do petróleo, mas ocorreu ao mesmo tempo em que a produção da Petrobras avançou acima das expectativas. Para o BBI, essa combinação deixou os papéis mais descontados sem que as perspectivas operacionais da companhia tenham sido revisadas para baixo.
Do retorno total projetado, aproximadamente 10 pontos percentuais viriam dos dividendos. Isso significa que a estimativa não depende apenas da alta da cotação até o preço-alvo: a distribuição de proventos também representa parcela relevante do desempenho esperado, embora não seja garantida.
Produção deve crescer mais que a das concorrentes
O principal suporte operacional para a recomendação é o ritmo de expansão da produção. O banco estima crescimento médio de 10,9% entre 2025 e 2026, quase cinco vezes acima dos 2,2% projetados para as grandes petroleiras globais no mesmo intervalo.
Para 2027, a previsão é de produção total de petróleo de 2,82 milhões de barris por dia. A avaliação é que o mercado ainda pode elevar gradualmente suas próprias estimativas para níveis acima de 2,8 milhões de barris diários, à medida que os resultados confirmem a capacidade de crescimento da estatal.
Desconto aparece nos múltiplos e nos dividendos
Um múltiplo preço sobre lucro menor indica que o investidor paga menos pela mesma unidade de lucro projetado. Nesse critério, a Petrobras é negociada com desconto de 58% para 2027 em relação às grandes petroleiras internacionais, segundo o BBI.
A rentabilidade também é apontada como diferencial. O retorno sobre o capital investido, indicador que mede quanto a empresa gera em relação aos recursos empregados no negócio, é estimado em 13,7%, contra média de 6,6% entre as concorrentes globais. O banco projeta ainda dividend yield de 9,4% para a Petrobras, acima dos 7,4% esperados para as empresas integradas do setor.
Quais fatores podem destravar a ação
Entre os possíveis catalisadores estão a continuidade de resultados operacionais acima do esperado e novas revisões para cima das projeções de produção de 2027. Uma eventual recomposição dos preços dos combustíveis também poderia melhorar a percepção sobre a geração de caixa da companhia.
Esse último fator ganhou importância porque, na avaliação do banco, os combustíveis permaneceram por um período prolongado abaixo da paridade de exportação. Na prática, a paridade compara os preços domésticos com o valor que a empresa obteria ao vender os derivados no mercado externo, considerando custos e câmbio.
Riscos incluem petróleo mais barato e decisões de capital
O cenário não é livre de riscos. Uma queda mais intensa do preço do petróleo reduziria a receita e poderia pressionar as margens da Petrobras. O banco também cita decisões menos favoráveis de alocação de capital, como um eventual aporte na Braskem, como fator capaz de prejudicar a avaliação das ações.
Mesmo assim, o BBI considera que a estatal pode superar suas concorrentes em um ambiente de petróleo mais fraco, apoiada pelo aumento da produção e pelo desconto de seus papéis. Entre as classes de ações, a preferência permanece por PETR4: o prêmio de cerca de 11% da PETR3, segundo o banco, não é justificado pelos fundamentos atuais, embora possa ser beneficiado temporariamente por uma entrada maior de investidores estrangeiros no Brasil.
Nas simulações do BBI, o potencial varia conforme o cenário: mesmo na hipótese mais adversa, PETR4 teria espaço para uma valorização de 5%, enquanto no cenário otimista a alta poderia chegar a 57%. Essas projeções dependem de petróleo, produção, política de preços e distribuição de capital, fatores que ainda podem mudar até 2027.
