O Bradesco BBI criou três cestas de ações para investidores acompanharem diferentes resultados nas urnas: uma reúne papéis que historicamente se saíram melhor quando cresceram as chances do atual governo, outra olha para o fortalecimento do desafiante e a terceira busca empresas consideradas mais resistentes à volatilidade eleitoral. A novidade oferece um mapa de como expectativas políticas podem influenciar setores e ações, mas não indica que esses desempenhos se repetirão.

Como o banco montou as três cestas eleitorais

O exercício foi elaborado pelos estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler, que analisaram mais de 220 ações do Ibovespa e de índices de empresas menores, além de companhias ligadas ao Brasil negociadas nos Estados Unidos e de empresas mexicanas e chilenas. A equipe procurou identificar como ações e setores reagiram a mudanças nas expectativas para a eleição.

Esse tipo de análise observa associações históricas: quando a probabilidade percebida de um resultado eleitoral aumentava, determinados papéis tendiam a ter desempenho superior ou inferior ao mercado. Isso não prova que a eleição, sozinha, tenha causado os movimentos, nem garante que eles se repitam. Juros, atividade econômica e resultados das empresas também influenciam os preços.

O banco mantém exposição acima da média ao Brasil e considera o país sua principal preferência na América Latina, citando avaliações baixas e uma relação entre potencial de valorização e de queda que julga assimétrica. Em um cenário descrito como o mais otimista, projeta alta de 76% para o MSCI Brazil, índice de ações brasileiras. A projeção não vem acompanhada, no material, de um prazo específico.

Carteira ligada à manutenção do governo atual

Batizada de “Incumbent”, a primeira cesta reúne 15 ações relacionadas ao Brasil que historicamente tiveram desempenho superior ao mercado quando aumentaram as chances eleitorais do governo atual e ficaram para trás quando essas probabilidades recuaram. Estão nela Andina, CPFL Energia, Copasa, Caixa Seguridade, Equatorial, Hidrovias do Brasil, Iguatemi, Itaú Unibanco, Mercado Livre, Multiplan, Iochpe-Maxion, Porto Seguro, Taesa, Tenda e Vivara.

O conjunto tem presença de seguradoras, empresas de serviços públicos, shopping centers e incorporadoras voltadas à baixa renda, além de exportadoras e companhias negociadas no exterior com exposição relevante ao Brasil. Caixa Seguridade e Porto Seguro são as seguradoras citadas; Copasa, CPFL e Taesa representam serviços públicos; Iguatemi e Multiplan, os centros comerciais.

A Tenda aparece como representante das incorporadoras de baixa renda. O banco destaca que os contratos já acumulados pela empresa — o chamado backlog — podem funcionar como um colchão para os resultados. Ainda assim, a cesta descreve um padrão histórico de reação eleitoral, não uma garantia sobre o desempenho futuro de cada companhia.

Estatais, mercado de capitais e juros na cesta do desafiante

A carteira “Challenger” reúne ações que se saíram melhor nos períodos em que cresceram as chances do desafiante. Entre os nomes estão PetzCobasi, B3, Banco do Brasil, Bemobi, Frasle Mobility, Grupo Mateus, Hypera, Intelbras, MRV, Petrobras, Panvel, RD Saúde, Vamos, Vitru e XP.

O BBI destaca quatro grupos: empresas ligadas ao mercado de capitais, estatais, papéis sensíveis aos juros e companhias menores. XP e B3 representam o primeiro grupo. Banco do Brasil e Petrobras são as estatais da lista; o banco observa que empresas influenciadas pelo Estado têm peso relevante nos índices brasileiros em comparação com os de outros grandes mercados acionários.

MRV e Vamos são apontadas como sensíveis aos juros. O cenário econômico usado pelo BBI prevê que a Selic passe dos atuais 13,75% para 11% ao fim de 2027. Juros menores podem reduzir o custo de empréstimos e facilitar o financiamento de consumidores e empresas; também podem tornar a renda fixa menos atraente em relação às ações. Esses efeitos dependem, porém, de como a economia e as expectativas evoluírem.

O que a cesta resiliente e a eleição significam para quem investe

A terceira carteira foi pensada para quem não quer apostar em um resultado específico: reúne ações que o banco considera mais resistentes à volatilidade eleitoral. O material disponível não detalha seus componentes. A ideia é distinguir essa seleção das cestas “Incumbent” e “Challenger”, construídas justamente a partir de reações históricas associadas a cada lado da disputa.

Para o investidor, as listas ajudam a entender quais setores podem ser mais sensíveis a mudanças nas expectativas políticas, mas não substituem a análise dos fundamentos de cada empresa. Uma ação pode reagir de forma diferente desta vez, e o resultado das urnas não elimina riscos ligados a juros, atividade econômica ou desempenho dos negócios.

O próximo ponto de atenção é a evolução das expectativas até o primeiro turno e, depois, a resposta do mercado aos resultados e às políticas que possam ser anunciadas. As três cestas funcionam como cenários de acompanhamento, não como recomendação de compra ou venda. A própria avaliação favorável do banco sobre o Brasil depende também dos preços das ações e da relação entre possíveis ganhos e perdas.