As bolsas europeias encerraram a sessão desta segunda-feira (7) próximas da estabilidade, depois de recuarem ao longo do pregão. O movimento refletiu o equilíbrio entre a força das ações de tecnologia e a cautela com o petróleo mais caro, após novos ataques no Oriente Médio, em um dia de negociações menos intensas por causa do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.

Tecnologia sustentou os índices durante a sessão

O Stoxx 600, índice que reúne empresas de diversos mercados europeus, perdeu força durante o dia, mas terminou perto da estabilidade. A busca por companhias ligadas à inteligência artificial e à cadeia de semicondutores ajudou a limitar as perdas, acompanhando o desempenho positivo observado nos mercados asiáticos.

Em Amsterdã, a fabricante de equipamentos para chips ASML subiu 2,25%, enquanto a ASM International avançou mais de 4%. Com isso, o índice setorial de tecnologia do Stoxx 600 chegou a subir mais de 1%. Esse tipo de ação costuma reagir às expectativas de crescimento dos investimentos em inteligência artificial, mesmo quando o ambiente geral é mais cauteloso.

Petróleo mais caro aumentou a cautela dos investidores

O Brent, referência internacional para o petróleo, avançou para o maior nível em dois meses. O movimento ganhou força após o ataque a uma refinaria na Arábia Saudita, perto da fronteira com o Iêmen, em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã no fim de semana.

Também aumentaram as preocupações com o transporte marítimo global, incluindo o Canal do Panamá. Quando o petróleo sobe por risco de interrupção na oferta ou na logística, empresas de energia tendem a se beneficiar, enquanto companhias dependentes de combustível podem enfrentar custos maiores. Na Europa, BP e Shell avançaram 1,24% e 1,32%, respectivamente, e o subíndice de energia do Stoxx 600 ganhou mais de 1% durante o pregão.

Índices tiveram desempenho dividido

Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,08%, aos 10.822,13 pontos. O DAX, de Frankfurt, recuou 0,25%, para 25.981,79 pontos. Em Paris, o CAC 40 subiu 0,33%, aos 8.306,15 pontos.

O FTSE MIB, de Milão, avançou 0,25%, para 52.229,57 pontos, enquanto o Ibex 35, de Madri, cedeu 0,17%, aos 20.017,35 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,32%, aos 9.419,13 pontos. As cotações eram preliminares.

Dados econômicos e decisões políticas ficaram no radar

O PIB da zona do euro cresceu 0,6% no segundo trimestre ante os três meses anteriores, acima do esperado. Em contrapartida, a produção industrial alemã recuou em julho, sinalizando que a recuperação da maior economia europeia ainda enfrenta obstáculos.

Na Alemanha, a vitória do partido de extrema-direita AfD em eleições estaduais aumentou a pressão sobre o governo de Friedrich Merz e trouxe incerteza adicional para as discussões sobre reformas. No Reino Unido, investidores também acompanharam o primeiro discurso do ministro das Finanças, John Healey, com foco na disciplina fiscal.

Decisão do BCE será o próximo teste para os mercados

A atenção agora se volta para a reunião do Banco Central Europeu (BCE) nesta semana. O mercado espera amplamente uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros, mas a principal dúvida está no tom do comunicado e nas indicações sobre os próximos passos da política monetária.

Juros mais altos tendem a encarecer o crédito e reduzir o estímulo para investimentos em ações, mas também podem fortalecer a moeda e ajudar a conter a inflação. Para quem investe, o desempenho das bolsas europeias nos próximos dias dependerá da combinação entre o conflito no Oriente Médio, a trajetória do petróleo, os dados de atividade e a sinalização do BCE.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo provocada pela tensão no Oriente Médio pode elevar os custos de combustíveis e transporte, com possível reflexo sobre a inflação no Brasil. O efeito não é imediato nem certo, mas choques prolongados na oferta global de petróleo podem pressionar preços e reduzir o poder de compra das famílias.