As bolsas europeias fecharam a sessão desta segunda-feira (10) sem um rumo claro, com os investidores divididos entre o otimismo com as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz e a persistência de exigências rígidas do Irã. O pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,03%, a 660,45 pontos, enquanto o índice de tecnologia do bloco avançou 1,08%, puxado por empresas de semicondutores. O tom misto reflete a cautela diante de uma rota que escoa cerca de um quinto do petróleo mundial — um fator que segue sustentando os preços da commodity.
Como fecharam os principais índices
Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,35%, aos 10.862,50 pontos, pressionado por dois eventos corporativos. A fabricante de tabaco Imperial Brands caiu 5,30% após anunciar milhares de cortes de empregos nos EUA e na Europa. Já a construtora Vistry Group despencou mais de 11%, depois que a seguradora Allianz Trade reduziu drasticamente a cobertura de seguro de crédito oferecida aos fornecedores da empresa.
Em Frankfurt, o DAX subiu 0,14%, aos 26.355,07 pontos, com apoio da alta de 0,78% da Infineon, fabricante de chips. O CAC 40, de Paris, avançou 0,13%, aos 8.726,03 pontos. Em Milão, o FTSE MIB caiu 0,10%, aos 53.663,88 pontos; em Madri, o Ibex 35 perdeu 0,16%, aos 20.155,69 pontos; e o PSI 20, de Lisboa, cedeu 0,29%, aos 9.155,00 pontos. As cotações são preliminares.
O que está por trás das negociações sobre Ormuz
O dia teve agenda econômica esvaziada na Europa, e o foco ficou nas tratativas geopolíticas. No domingo (9), o governo do Irã afirmou que o acordo com Omã sobre o trânsito no estreito está na fase final. Contudo, Teerã condiciona a reabertura total ao cumprimento de outras exigências pelos Estados Unidos, incluindo uma indenização financeira pelos danos do conflito. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, reforçou: “Cabe ao lado dos EUA parar e reparar suas ações ilegais e destrutivas”.
Essa indefinição explica por que o setor de tecnologia subiu enquanto os índices amplos ficaram contidos. Papéis ligados a semicondutores, como ASML (+1,28%), em Amsterdã, se beneficiaram da busca por proteção, enquanto as petroleiras oscilaram conforme as declarações vindas de Teerã. O mercado segue precificando o risco de uma interrupção prolongada na passagem de petroleiros.
Outros fatores no radar europeu
No Reino Unido, o primeiro-ministro Andy Burnham deve anunciar ainda hoje uma consulta para avaliar se empresas podem ser proibidas de usar preços de varejo recomendados enganosos, que exageram descontos. A medida mexe com o varejo e pode afetar a percepção de inflação local.
Na Espanha, o governo restabeleceu no domingo controles de fronteira para passageiros vindos da Itália em voos e ferries, em meio a tensões sobre migração. Roma respondeu à decisão, aprofundando o atrito diplomático — um fator secundário, mas que adiciona ruído político à região.
O que observar daqui para frente
Para quem acompanha os mercados, o desfecho das negociações sobre Ormuz é a variável central. Se um acordo concreto for anunciado, o preço do petróleo deve ceder, o que tende a aliviar a inflação global e abrir espaço para estímulos monetários. Se as conversas travarem, a commodity pode voltar a subir, pressionando custos de energia e impactando setores sensíveis, como transporte e química.
Na Europa, também vale monitorar a temporada de balanços e as medidas regulatórias no Reino Unido. Para o investidor brasileiro, o desdobramento afeta o câmbio — um dólar mais forte ou mais fraco influencia importados, o Ibovespa e papéis de commodities. Como sempre, o cenário segue fluido: o mercado opera com notícias de hora em hora, e o pragmatismo deve guiar as decisões.
