As bolsas europeias fecharam sem direção única nesta quarta-feira, 19 de agosto, em um pregão de pouco ímpeto marcado pelas incertezas do conflito no Oriente Médio e pela expectativa em torno da ata da reunião de política monetária de julho do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. O movimento mostra que investidores reduziram as posições mais agressivas enquanto avaliam os efeitos da guerra sobre a inflação e os próximos passos dos juros americanos.
Índices terminaram o dia com variações pequenas
Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,14%, para 10.743,35 pontos. O DAX, de Frankfurt, avançou 0,01%, a 26.129,78 pontos. Já o CAC 40, de Paris, caiu 0,09%, para 8.501,91 pontos. As cotações são preliminares.
Entre os demais mercados, o FTSE MIB, de Milão, recuou 0,75%, a 52.618,20 pontos; o Ibex 35, de Madri, perdeu 0,55%, para 19.825,07 pontos; e o PSI 20, de Lisboa, caiu 0,71%, a 9.238,90 pontos. A dispersão entre os índices refletiu mais cautela do que uma tendência clara de compra ou venda.
Conflito mantém inflação europeia sob pressão
O conflito no Oriente Médio continua aumentando a incerteza sobre os custos de energia, transporte e outros insumos. Quando esses gastos sobem, empresas tendem a repassar parte da pressão para os preços finais, dificultando a tarefa dos bancos centrais de manter a inflação sob controle sem prejudicar a atividade econômica.
Na zona do euro e no Reino Unido, a inflação anual ao consumidor acelerou para 2,9% em julho, acima das metas de 2% do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra. A distância em relação às metas reduz o espaço para cortes de juros, porque uma política monetária mais frouxa pode estimular o consumo e o crédito justamente quando os preços ainda avançam.
Investidores aguardam sinais do banco central americano
A ata da reunião de julho do Fed deve ajudar o mercado a entender como os dirigentes avaliaram a inflação, o crescimento e a possibilidade de mudanças futuras nos juros dos Estados Unidos. O documento pode alterar as expectativas para o custo do dinheiro americano, influenciando ações, moedas e títulos em diversos países.
Esse efeito ocorre porque os Treasuries, títulos do governo dos Estados Unidos, são uma referência para o mercado global de renda fixa. Um pequeno rali nesses papéis — ou seja, uma alta de preços acompanhada de queda nos rendimentos — ajudou a melhorar o humor dos investidores nesta quarta-feira, mesmo sem eliminar as incertezas geopolíticas.
Tecnologia perdeu força, enquanto mineradoras avançaram
A venda generalizada observada na terça-feira entre empresas de tecnologia perdeu intensidade nos mercados europeus. O setor recuou 0,32%, enquanto o segmento de produtos químicos avançou 0,19%, mostrando uma rotação limitada entre grupos de ações em vez de uma recuperação ampla do mercado.
Em Londres, as mineradoras lideraram os ganhos, com alta de 3,48% da Rio Tinto. Na direção oposta, a Trainline caiu cerca de 14% depois que a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido abriu uma investigação sobre as práticas de precificação da plataforma de passagens de trem e ônibus.
O que observar nos próximos dias
O posicionamento dos bancos centrais será o principal ponto de atenção. O dirigente do BCE e presidente do banco central da Finlândia, Olli Rehn, afirmou que ainda não há sinais claros de efeitos de segunda ordem provocados pela guerra e que a formulação da resposta ao choque de oferta está no centro da atuação da instituição.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, também disse que a Europa não pode “se dar ao luxo” de perder a revolução digital impulsionada pela inteligência artificial. Para quem investe, consome ou trabalha, a combinação entre guerra, inflação e juros pode afetar empresas, crédito e custo de vida, mas a direção dependerá da duração do conflito e das sinalizações contidas na ata do Fed.
