As bolsas europeias fecharam sem direção única nesta segunda-feira (24), enquanto investidores aguardavam o anúncio de novas sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã. A expectativa elevou a cautela nos mercados, mas não impediu ganhos em algumas praças, enquanto o petróleo recuou após seis sessões consecutivas de alta.

Índices de Londres e Madri sustentam alta na Europa

Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,35%, aos 10.854,32 pontos, ajudado principalmente pelo desempenho das mineradoras. Em Madri, o Ibex 35 avançou 0,70%, para 20.100,47 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,40%, aos 9.391,96 pontos.

Na direção oposta, o DAX, principal índice de Frankfurt, caiu 0,07%, para 26.118,99 pontos. O CAC 40, de Paris, recuou 0,37%, aos 8.453,01 pontos, enquanto o FTSE MIB, de Milão, perdeu 0,24%, para 52.542,18 pontos. As cotações são preliminares.

Sanções dos EUA aumentam a incerteza sobre o conflito

Os investidores esperavam, no período da tarde, declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. A expectativa era de que ele detalhasse medidas contra o Irã e contra países que mantêm relações comerciais com Teerã, em um momento sem sinais de acordo para encerrar a guerra.

O anúncio pode afetar a avaliação dos mercados sobre o comércio internacional, o abastecimento de energia e o risco geopolítico. Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que qualquer colaboração com o bloqueio econômico americano contra o país “certamente terá consequências”.

Petróleo recua após seis dias de alta

O petróleo operou em baixa nesta segunda-feira, interrompendo uma sequência de seis pregões de valorização. A commodity costuma reagir a tensões no Oriente Médio porque conflitos e sanções podem ameaçar a produção, o transporte ou as exportações de grandes produtores.

O recuo do petróleo, apesar da expectativa por novas medidas contra o Irã, ajudou a limitar parte da pressão sobre os mercados acionários. Para os investidores, preços de energia mais elevados podem aumentar custos de transporte e produção, pressionando a inflação e reduzindo a margem de empresas consumidoras de combustível.

Mineração avança, enquanto tecnologia e montadoras recuam

O subíndice de mineração do Stoxx 600, indicador que reúne empresas do setor na Europa, subiu 0,87%. A alta foi apoiada pela força do ouro, que costuma receber demanda em períodos de maior incerteza, e contribuiu para o desempenho positivo da bolsa de Londres.

Já o setor de tecnologia caiu 0,89%, com ações ligadas à inteligência artificial apresentando desempenho inferior ao mercado mais amplo. O setor automotivo também pesou: a Stellantis recuou mais de 4% após o fracasso de negociações comerciais entre Estados Unidos e Canadá, enquanto a Volkswagen perdeu quase 3% na Alemanha.

Declaração do BCE adiciona sinal sobre os juros

No campo da política monetária, o dirigente do Banco Central Europeu (BCE) Piero Cipollone afirmou que a inflação na zona do euro parece distante dos cenários adversos e severos. Ele ressaltou, porém, que a autoridade precisa acompanhar as mudanças no ambiente macroeconômico.

Para os mercados, esse tipo de declaração ajuda a formar expectativas sobre os próximos passos dos juros europeus. Inflação mais controlada reduz a necessidade de manter uma política monetária restritiva, mas choques de energia ou uma deterioração do cenário internacional podem alterar essa avaliação.

O que observar após o fechamento europeu

O próximo foco será o conteúdo das sanções americanas e a reação do Irã, além de possíveis efeitos sobre o petróleo e sobre as relações comerciais de países que negociam com Teerã. A resposta dos preços de energia poderá influenciar tanto ações de commodities quanto empresas mais expostas a custos de transporte e produção.

Para quem acompanha os mercados, o pregão mostrou que a incerteza geopolítica não produz uma reação uniforme: mineradoras e bolsas mais expostas a commodities avançaram, enquanto tecnologia e montadoras recuaram. A direção dos próximos dias dependerá da extensão das medidas dos EUA, da evolução do conflito e dos sinais do BCE sobre inflação e juros.