As bolsas europeias fecharam em queda nesta quinta-feira (27), após a divulgação da ata da reunião de julho do Banco Central Europeu (BCE), que reforçou a preocupação com a inflação e manteve aberta a possibilidade de novos aumentos de juros. Frankfurt destoou do movimento e avançou, impulsionada pelas ações de tecnologia após o balanço da Nvidia nos Estados Unidos.
Frankfurt sobe com Nvidia e ações de tecnologia
O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,69%, para 651,85 pontos. Em Londres, o FTSE 100 caiu 0,79%, aos 10.792,54 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, teve baixa de 1,68%, para 8.319,87 pontos. Na contramão, o DAX, de Frankfurt, subiu 0,27%, aos 26.355,97 pontos.
A alta alemã foi sustentada principalmente pelo setor de tecnologia. O segmento avançou 1,75% na Europa depois que a Nvidia, fabricante de chips considerada uma referência para os investimentos em inteligência artificial, informou vendas recordes e apresentou projeções acima das expectativas.
Na esteira do resultado, a fabricante alemã de chips Infineon Technologies subiu cerca de 3%, enquanto a SAP, uma das maiores empresas europeias de software, ganhou quase 6%. O movimento mostra como resultados de companhias americanas ligadas à inteligência artificial continuam influenciando ações de tecnologia em outros mercados.
Ata do BCE aumenta cautela com inflação
A ata da reunião de julho indicou que um novo aumento de juros pode ser necessário caso as perspectivas para a inflação não melhorem. Ao mesmo tempo, os dirigentes não assumiram previamente o compromisso de elevar os juros já em setembro, deixando a decisão dependente dos próximos dados econômicos.
Juros mais altos tornam o crédito mais caro para empresas e consumidores e reduzem a atratividade de investimentos produtivos e de ações. Também tendem a favorecer aplicações de renda fixa denominadas em euro, ao mesmo tempo em que pressionam os preços dos papéis na bolsa. É esse mecanismo que ajuda a explicar a reação negativa dos índices após a ata.
O membro do BCE Dimitar Radev afirmou que as reuniões de outubro e dezembro continuam abertas para novos ajustes. Para ele, os formuladores de política monetária não deveriam esperar a confirmação dos chamados efeitos secundários da inflação para agir.
Energia e setores cíclicos ampliam as perdas
Além da ata, os investidores monitoraram a pressão inflacionária provocada pelos preços elevados de energia. Custos maiores de combustíveis e eletricidade afetam diretamente as empresas, comprimindo margens, e podem ser repassados aos consumidores, dificultando o trabalho do BCE para levar a inflação de volta à sua meta.
Entre os setores, bancos recuaram 1,75% e empresas químicas perderam 0,84%. O setor financeiro costuma reagir às mudanças nas expectativas de juros porque elas alteram o custo de captação, a demanda por crédito e a possibilidade de aumento da inadimplência.
Em ações individuais, a Pernod Ricard caiu mais de 4% após divulgar desempenho anual fraco nas vendas. A companhia, dona de marcas como Absolut, Jameson e Martell, foi prejudicada pelos resultados nos Estados Unidos e na China.
O que observar nas próximas reuniões
O BCE terá de equilibrar dois riscos: manter os juros elevados por mais tempo para conter a inflação ou aliviar a política monetária e permitir uma recuperação mais rápida da economia. A ata não determinou um aumento em setembro, mas mostrou que a possibilidade segue no radar caso os preços de energia e outros componentes mantenham pressão.
Para quem investe, a reação desta quinta-feira reforça a importância dos próximos indicadores de inflação e das novas declarações dos dirigentes europeus. Para empresas e trabalhadores, juros persistentemente altos podem significar crédito mais caro e menor ritmo de atividade, enquanto a evolução dos preços de energia continuará sendo um fator relevante para o custo de vida e para os resultados corporativos.
