As bolsas europeias fecharam em queda firme nesta sexta-feira (18), pressionadas pela alta dos rendimentos dos títulos soberanos globais, que elevou a cautela dos investidores com ações e outros ativos de risco. O movimento ocorreu mesmo com a perda de força do petróleo, enquanto riscos geopolíticos e a perspectiva de juros mais altos continuaram limitando o apetite por renda variável.

Principais índices encerram o dia no vermelho

Em Londres, o FTSE 100 recuou 1,45%, para 10.659,13 pontos. O DAX, de Frankfurt, caiu 1,63%, para 25.296,44 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, perdeu 1,49%, aos 8.065,02 pontos.

Em Milão, o FTSE MIB baixou 1,60%, para 51.545,25 pontos. O Ibex 35, de Madri, teve baixa de 1,67%, aos 19.499,90 pontos, e o PSI 20, de Lisboa, caiu 1,33%, para 9.542,21 pontos. As cotações são preliminares.

Por que a alta dos títulos pesa sobre as ações

Os rendimentos dos títulos soberanos são as taxas que o mercado exige para financiar governos. Quando sobem, aplicações de renda fixa emitidas por países considerados mais seguros passam a oferecer retorno maior. Isso reduz, em parte, a atratividade relativa das ações, que envolvem maior risco.

A alta dos juros dos títulos também aumenta o custo de financiamento das empresas e reduz o valor presente dos lucros esperados para os próximos anos. Por esse mecanismo, companhias mais sensíveis ao crédito e ao crescimento econômico tendem a sofrer maior pressão nas bolsas.

Lagarde vê fenômeno global, mas BCE não identifica desordem

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que a elevação dos rendimentos soberanos é um fenômeno global. Ela acrescentou que a autoridade monetária não observa movimentos desordenados no mercado da zona do euro.

O vice-presidente do BCE, Boris Vujcic, disse que a energia vem alimentando apostas em novas altas de juros, embora o banco avalie um conjunto mais amplo de indicadores antes de tomar decisões. A declaração reforçou a atenção dos investidores aos dados de inflação e às condições financeiras.

Inflação alemã e petróleo mantêm cautela

Na Alemanha, a inflação no atacado avançou 4,6% em agosto, na comparação anual, acima do esperado pelo mercado. No Reino Unido, as vendas no varejo cresceram 0,5% em agosto ante julho, também superando as projeções. Os números mantiveram a preocupação com a persistência das pressões de preços.

O petróleo perdeu força após uma redução parcial dos temores sobre a oferta no Oriente Médio. Ainda assim, os riscos no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho devem manter a volatilidade elevada. A energia continua relevante para as expectativas de inflação porque influencia custos de transporte, produção e consumo.

Telecomunicações lideram perdas entre as ações

O subíndice de telecomunicações do Stoxx 600 caiu 3,4%. Em Londres, Airtel Africa recuou 10,1% e BT perdeu 5,4%. Em Frankfurt, Deutsche Telekom baixou 4,6%, enquanto a Orange caiu 5,4% em Paris.

No setor de energia, Shell cedeu 0,9%, BP caiu 1%, Repsol recuou 0,5% e Eni perdeu 0,8%. A Nestlé baixou 2,3% em Zurique após a colocação de sua subsidiária russa sob administração externa pelo Kremlin. Na direção oposta, Infineon subiu 2,4%, ASML avançou 1,3% e Sandoz ganhou 0,4% após aprovação de um medicamento genérico no Canadá.

O que observar após a queda das bolsas

Para quem investe, o principal ponto a acompanhar é se a alta dos rendimentos soberanos continuará ou se perderá força. A trajetória dos juros, os próximos dados de inflação e a evolução das tensões geopolíticas devem influenciar tanto o custo do dinheiro quanto a avaliação das empresas.

O recuo das bolsas europeias não representa, isoladamente, uma mudança definitiva de tendência. Ele mostra, porém, como o mercado permanece sensível à competição oferecida pela renda fixa, às perspectivas de política monetária e aos riscos que podem afetar o preço da energia.