As principais bolsas europeias fecharam em alta nesta sexta-feira (11), apoiadas pela queda do petróleo e pela melhora do apetite por risco, em uma recuperação após as perdas recentes. O movimento ganhou importância porque ocorreu mesmo com a inflação dos Estados Unidos fortalecendo as apostas de que o Federal Reserve, o banco central americano, poderá elevar os juros na próxima semana.
Índices de Londres, Frankfurt e Paris sobem
Em Londres, o FTSE 100 avançou 0,39%, aos 10.650,44 pontos. O DAX, de Frankfurt, subiu 0,77%, para 25.557,16 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, ganhou 0,78%, aos 8.179,77 pontos. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou aos 639,10 pontos, com recuo de 0,49%.
A queda do petróleo ajudou a reduzir parte da pressão sobre os mercados. Quando a commodity fica mais barata, diminui o risco de aumento dos custos de transporte, energia e produção, o que tende a aliviar as expectativas de inflação e favorecer ações mais sensíveis ao crescimento econômico.
Inflação dos EUA limita o alívio nos mercados
O avanço das bolsas ocorreu, porém, em um ambiente ainda cauteloso. Os dados de inflação americana reforçaram a percepção de que o Fed pode optar por juros mais altos na próxima semana. Taxas maiores nos Estados Unidos tornam os títulos do Tesouro americano mais atrativos e podem reduzir o fluxo de recursos para ações e outros ativos de maior risco.
Também permaneceram no radar os riscos para a oferta de energia associados à guerra no Oriente Médio. Embora o petróleo tenha recuado no pregão de sexta-feira, a commodity caminhava para encerrar a semana com alta próxima de 10%, mostrando que a preocupação com interrupções no fornecimento ainda não foi eliminada.
Dados econômicos mostram sinais mistos na Europa
No Reino Unido, a produção industrial cresceu 0,2% em julho ante junho, contrariando a expectativa de queda de 0,2%. O dado ofereceu algum suporte às ações britânicas, ao sugerir uma atividade mais resistente do que o previsto no período.
Na França, o ministro das Finanças, Roland Lescure, reduziu de 0,7% para 0,5% a projeção de crescimento econômico em 2026 e admitiu que a meta de déficit não será cumprida. A revisão evidencia as dificuldades para combinar crescimento, controle das contas públicas e enfrentamento dos efeitos do cenário externo.
Empresas ligadas à tecnologia e ao luxo se recuperam
Entre as ações, a Airbus subiu 1,4% depois de anunciar uma recompra de até 4,1 milhões de papéis. A recompra reduz a quantidade de ações em circulação e pode aumentar a participação relativa dos acionistas que permanecem na empresa, embora não elimine os riscos operacionais do negócio.
Em Londres, a Renishaw avançou 3,1% e a XP Power disparou 5,4% após a Jefferies elevar a recomendação das duas companhias para compra, citando possíveis benefícios da demanda relacionada à inteligência artificial no mercado de semicondutores. Em Paris, as ações de luxo subiram cerca de 1%, com alta de 2% da Kering. Na Alemanha, a Sartorius ganhou 1,3%, enquanto a SAP terminou estável após recuperação parcial.
O que observar depois do fechamento europeu
Para os investidores, o pregão mostrou como a direção do petróleo pode contrabalançar preocupações com juros e inflação. A combinação de energia menos cara e maior disposição ao risco favoreceu as bolsas, mas a alta semanal próxima de 10% do petróleo mantém o mercado vulnerável a novas notícias sobre o Oriente Médio.
O próximo foco estará na decisão do Fed e em seus sinais sobre os juros americanos. Na Europa, também devem continuar no centro das atenções a trajetória da inflação, o ritmo de crescimento e a situação fiscal dos países, fatores que podem definir se a recuperação das ações terá continuidade ou ficará restrita a um movimento pontual.
