O Bank of America adotou uma visão seletiva para as empresas de shopping centers listadas na B3 e apontou a Allos (ALOS3) como sua principal escolha no segmento. O banco manteve recomendação neutra para Iguatemi (IGTI11) e Multiplan (MULT3), mas estima que a Allos possa entregar dividend yield de aproximadamente 14% até 2027, além de elevar seu preço-alvo de R$ 34 para R$ 35.

Por que a Allos é a preferida do Bank of America

A tese para a Allos combina geração de renda, resiliência dos aluguéis e possibilidade de novas vendas de ativos. O dividend yield é uma medida que relaciona os dividendos esperados ao preço da ação; portanto, a estimativa de 14% indica o potencial de distribuição calculado pelo banco, e não um retorno garantido ao acionista.

O desempenho operacional mostrou alguma desaceleração. As vendas mesmas lojas, indicador que compara unidades em funcionamento nos dois períodos, passaram de crescimento de 7,1% no segundo trimestre de 2025 para 2,4% no segundo trimestre de 2026. Mesmo assim, o crescimento real dos aluguéis ficou em 3,2% — ou 4,6% sem o Shopping Tijuca.

Para o BofA, a combinação sugere que os empreendimentos dominantes da companhia ainda conseguem reajustar preços mesmo com o consumo mais fraco. A ocupação ficou em cerca de 96,2% no segundo trimestre de 2026, enquanto o custo de ocupação foi de 10,3%. Quanto maior a ocupação e mais equilibrado o custo para os lojistas, maior tende a ser a capacidade de preservar receitas de aluguel.

Venda de ativos pode sustentar os dividendos

Outro elemento da análise é a possibilidade de a Allos voltar a fazer a chamada reciclagem de portfólio. O mecanismo consiste em vender participações ou empreendimentos maduros para liberar capital, reduzir a necessidade de recursos próprios e financiar novas operações ou distribuições aos acionistas.

Uma eventual operação com o Kinea FII pode abrir espaço para novas vendas de ativos e prolongar o período de dividendos elevados. O efeito dependerá, porém, da conclusão da transação e das condições obtidas pela companhia em cada desinvestimento.

Iguatemi terá investimentos, mas segue neutra

Para a Iguatemi, o Bank of America manteve recomendação neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 31 para R$ 30 por ação. A empresa prevê um ciclo de investimentos de aproximadamente R$ 700 milhões nos próximos três anos, com aquisições de ativos premium, expansões no Iguatemi São Paulo e em Brasília e reformas no Pátio Paulista e no Rio Sul.

A reciclagem de ativos é apontada como fonte importante de financiamento. Os recursos potenciais de desinvestimentos, que somavam cerca de R$ 350 milhões antes da operação, poderiam chegar a aproximadamente R$ 1,3 bilhão caso a venda do portfólio ao TRXF11 seja concluída. O banco estima que a operação poderia elevar em cerca de 5% o aluguel médio por metro quadrado.

Multiplan tem operação forte, mas avaliação é neutra

Na Multiplan, o preço-alvo foi elevado de R$ 35 para R$ 36 por ação, mas a recomendação permaneceu neutra. As vendas mesmas lojas cresceram 4,3% no segundo trimestre de 2026, ante 10,9% no mesmo período de 2025. Em termos reais, o avanço caiu de 9,3% para 4,1%.

A ocupação também ficou próxima de 96,2%, e o custo de ocupação foi de 12,3%. A inadimplência líquida negativa em 1,2% indicou, na avaliação do banco, boa qualidade de crédito dos lojistas. O BofA considera que os investimentos da companhia já passaram do pico, o que pode permitir contribuição maior das expansões recém-entregues.

O que acompanhar antes de avaliar as ações

Para quem investe, o relatório diferencia potencial de dividendos, qualidade operacional e preço de entrada. A Allos aparece como preferida por reunir renda estimada e possibilidade de monetização de ativos, enquanto Iguatemi e Multiplan têm projetos capazes de apoiar o crescimento, mas também exigem desembolsos relevantes.

Os próximos pontos de atenção são a evolução das vendas e dos aluguéis, a ocupação dos empreendimentos e a conclusão das operações de venda de ativos. Esses fatores podem alterar o ritmo de distribuição de dividendos e a percepção do mercado sobre os preços-alvo calculados pelo banco.