O bitcoin (BTC) opera em leve alta neste sábado (29), próximo de US$ 77 mil, e tenta recuperar parte da queda registrada nas últimas 24 horas. Às 11h30, a criptomoeda era negociada a US$ 77.697,78, com avanço de 0,04% em uma hora, mas ainda acumulava baixa de 1,52% no período de um dia e alta de 0,80% em sete dias.

Bitcoin busca estabilização depois da queda de US$ 81 mil

O movimento ocorre após o tombo da véspera, quando o bitcoin recuou da região de US$ 81 mil para perto de US$ 76 mil. A queda foi provocada pela reação dos investidores às declarações de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, no simpósio de Jackson Hole.

Warsh afirmou que o Fed ainda terá trabalho para levar a inflação à meta de 2% e avaliou que o progresso nessa direção nos últimos dois anos foi modesto. O comentário reforçou a percepção de que os juros americanos podem permanecer elevados por mais tempo, cenário normalmente desfavorável para ativos considerados mais arriscados, como criptomoedas.

Por que os juros dos Estados Unidos pressionam as criptomoedas

Quando o mercado passa a esperar juros mais altos, aplicações de menor risco nos Estados Unidos tendem a oferecer retorno mais atraente. Isso reduz o incentivo para manter recursos em ativos voláteis, como bitcoin, ações de tecnologia e outras criptomoedas.

As falas também alteraram as apostas para a próxima reunião do Fed. Na sexta-feira (28), a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 57% de probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual em setembro, levando os juros para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Antes do discurso, essa possibilidade era estimada em 35,7%; a aposta de elevação, que estava concentrada em outubro, foi antecipada para setembro.

Queda provocou liquidações no mercado de futuros

A perda de valor das principais criptomoedas desencadeou uma onda de liquidações no mercado de derivativos. Esse mecanismo ocorre quando corretoras encerram automaticamente posições de investidores que operavam com dinheiro emprestado e não conseguem mais cobrir as perdas.

Estimativas de plataformas de monitoramento apontaram para aproximadamente US$ 480 milhões a US$ 490 milhões em posições de futuros liquidadas em 24 horas. Esse processo pode acelerar as quedas, porque o encerramento forçado de posições aumenta a pressão de venda em um mercado que já está reagindo a notícias negativas.

Como estão as principais criptomoedas neste sábado

A recuperação do bitcoin é acompanhada por avanços modestos em parte do mercado, mas a maioria dos principais ativos ainda registra perda em 24 horas. O Ethereum (ETH) subia 0,08% em uma hora e recuava 2,09% no dia, cotado a US$ 2.436,29.

  • BNB: US$ 689,16, com baixa de 1,55% em 24 horas;
  • XRP: US$ 1,38, queda de 1,39% no dia;
  • Solana: US$ 104,30, recuo de 0,05% em 24 horas e alta de 11,19% em sete dias;
  • Dogecoin: US$ 0,08511, baixa de 1,64% no período de um dia;
  • Hyperliquid: US$ 82,04, queda de 1,30% em 24 horas e alta de 5,85% na semana.

Dados do Fed e suporte de US$ 70 mil entram no radar

O próximo foco do mercado será a reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto, o Fomc, em setembro. Até lá, novas leituras de inflação e atividade econômica poderão alterar as expectativas para os juros americanos. O dado mais recente do índice de preços de gastos de consumo pessoal, o PCE, mostrou alta de 3,7% em agosto, acima da meta de 2% do Fed e das projeções do mercado.

Investidores também devem acompanhar os fluxos para os ETFs de bitcoin e a capacidade da criptomoeda de sustentar a região de US$ 70 mil, apontada como suporte. A manutenção das entradas nesses fundos e a estabilização após o ajuste das posições alavancadas podem limitar novas quedas. Já uma piora nas expectativas para os juros tende a manter a pressão sobre ativos de maior risco.