O Bitcoin recuou para a faixa de US$ 76 mil nesta terça-feira (15), antes da votação no Senado dos Estados Unidos sobre o avanço do Clarity Act e da decisão do Federal Reserve, o banco central americano. O movimento mostra a cautela dos investidores diante da incerteza regulatória e da pressão exercida pelos juros dos títulos públicos americanos sobre ativos considerados mais arriscados.
Votação do Clarity Act perdeu força antes do Senado
Às 9h53, pelo horário de Brasília, o Bitcoin era negociado a US$ 77.030, com queda de 0,9% em 24 horas. A criptomoeda chegou a operar na faixa de US$ 76 mil durante a manhã, em um sinal de que o mercado passou a atribuir menor probabilidade a um avanço rápido da regulamentação.
A expectativa havia melhorado na semana passada, quando os republicanos divulgaram uma nova versão do projeto. O texto busca endurecer regras contra estruturas de fachada associadas a projetos de finanças descentralizadas (DeFi), que oferecem serviços financeiros por meio de redes digitais e contratos automatizados.
Os democratas, porém, rejeitaram a proposta por considerarem que ela ainda oferece proteção insuficiente aos investidores de varejo e mantém brechas para comportamentos antiéticos de autoridades. O grupo apresentou uma contraproposta. Na plataforma de mercados preditivos Polymarket, a chance de aprovação do Clarity Act estava em 21%.
Projeto ainda terá longo caminho até virar lei
A votação prevista para esta terça-feira não representa a aprovação definitiva do Clarity Act. Segundo Noah Cheung, country manager da corretora Bitget no Brasil, o texto ainda precisaria passar pelo Senado, ser harmonizado com a versão aprovada pela Câmara dos Representantes e, depois, ser encaminhado ao presidente americano.
Essa sequência ajuda a explicar por que uma eventual votação favorável pode ter efeito limitado sobre os preços no curto prazo. Mesmo com o avanço de uma etapa, ainda permaneceria o risco de mudanças no conteúdo da lei ou de novos atrasos no processo legislativo.
Juros dos Treasuries aumentam pressão sobre o Bitcoin
Além da disputa política em torno da regulamentação, o mercado acompanha a decisão do Fed em um ambiente de juros mais elevados. O rendimento do título do Tesouro americano de dez anos subiu para 5,04%, maior nível desde julho de 2007.
Quando a remuneração de títulos considerados mais seguros aumenta, eles se tornam relativamente mais atraentes diante de ativos voláteis, como criptomoedas. Esse mecanismo reduz a disposição de alguns investidores a manter posições em Bitcoin e pode pressionar as cotações, especialmente antes de eventos relevantes de política monetária.
ETFs voltam a receber recursos, mas sentimento perde força
O fluxo dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos foi positivo em US$ 159,9 milhões na segunda-feira (14), interrompendo uma sequência de quatro pregões com saída líquida de capital. O fundo IBIT, da BlackRock, concentrou US$ 134,3 milhões desse saldo positivo.
Os ETFs de Ether também registraram entrada líquida, de US$ 121,1 milhões no mesmo pregão. Apesar disso, o índice Fear & Greed das criptomoedas caiu de 68 para 67 pontos. A pontuação ainda indica ganância, mas aponta uma redução marginal do apetite por risco.
O que acompanhar após a queda para US$ 76 mil
Para quem investe, os próximos movimentos dependerão da combinação entre o resultado da votação, a comunicação do Fed e a evolução dos rendimentos dos títulos americanos. Um avanço regulatório pode melhorar a percepção sobre o setor, enquanto juros elevados e novas dificuldades políticas tendem a manter a volatilidade.
O fluxo positivo dos ETFs mostra que ainda há demanda institucional, mas não elimina os riscos de curto prazo. A queda para a faixa de US$ 76 mil reforça que o Bitcoin continua sensível tanto a decisões políticas quanto às condições gerais de liquidez nos mercados globais.
