O mercado brasileiro negocia, em média, mais de R$ 1 bilhão por dia em BDRs no acumulado de 2026 até setembro, com Tesla, Nvidia e Amazon entre os papéis que atraem atenção. O volume supera em mais de oito vezes os cerca de R$ 124 milhões diários registrados em 2020 e mostra como esses certificados ganharam espaço entre as opções de investimento acessíveis pela B3.

Volume cresceu após abertura aos investidores de varejo

BDR é a sigla para certificado brasileiro de depósito de valores mobiliários. Ele representa um ativo negociado no exterior, mas é comprado e vendido no Brasil, em reais e pela estrutura da B3. Assim, o investidor pode ter exposição a empresas estrangeiras sem abrir uma conta em outro país ou fazer uma remessa internacional.

O avanço do volume começou a ganhar força em 2020, quando mudanças nas regras ampliaram o acesso de investidores individuais a esses papéis. Desde então, a oferta de certificados e o interesse por diversificação internacional ajudaram a levar o produto para além de um público restrito.

A quantidade de pessoas com BDRs também aumentou: em abril de 2026, eram 956 mil investidores, mais de sete vezes o número registrado em 2020. O dado aponta que a expansão não se limita ao dinheiro negociado, mas também alcançou a base de participantes.

Tesla, Nvidia e Amazon aparecem entre os mais negociados

Nos 12 meses encerrados em abril de 2026, o ranking de BDRs mais negociados reuniu companhias de diferentes setores. JBS, Tesla, Nvidia, Inter, Mercado Livre, XP, Nubank, Aura Minerals, Strategy e Amazon estavam entre os dez nomes da lista.

O recorte apenas de abril teve outra composição: Aura Minerals ficou na primeira posição, seguida por JBS, XP, Nubank e Tesla. Nvidia, Inter, Microsoft, Amazon e Mercado Livre completaram o grupo divulgado pela B3.

A lista evidencia que o interesse não está restrito às grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Há certificados ligados a companhias de mineração, bancos digitais, comércio eletrônico e negócios conhecidos no Brasil, mas com sede ou estrutura societária no exterior.

O certificado não é a ação estrangeira em si

O BDR é emitido por uma instituição depositária, que mantém no exterior os ativos usados como lastro. O investidor negocia o certificado no Brasil, e não diretamente a ação na bolsa estrangeira. Por isso, a quantidade de BDRs pode não corresponder exatamente a uma ação: essa relação é definida pela paridade de cada programa.

Essa proporção também influencia o preço unitário do certificado e pode permitir que o investidor tenha exposição a uma empresa sem precisar desembolsar o valor de uma ação inteira no mercado de origem. A negociação, a liquidação e a custódia do BDR ocorrem pela infraestrutura local, enquanto uma instituição depositária operacionaliza os direitos e eventuais proventos.

Câmbio também influencia o preço do BDR

Embora a compra seja feita em reais, o desempenho da empresa no exterior não é o único fator que afeta o valor do certificado. A cotação do ativo estrangeiro e a variação do dólar frente ao real podem influenciar o preço: uma alta da moeda americana tende a elevar, em reais, o valor correspondente ao mesmo ativo, se os demais fatores permanecerem iguais.

Isso não significa que o BDR seja uma proteção automática contra perdas. O preço pode oscilar com a ação no exterior, com o câmbio e com as condições de negociação no Brasil. Eventuais ganhos e proventos também podem estar sujeitos à tributação, conforme as regras vigentes.

O que observar antes de negociar

Para quem acompanha esses ativos, o crescimento do volume mostra que há mais negociação e participação do que em 2020, mas não elimina os riscos nem garante liquidez igual para todos os certificados. A atenção deve incluir a empresa representada, a paridade do BDR e o efeito do câmbio sobre o valor em reais.

Também é importante distinguir o certificado da ação estrangeira que serve de lastro: são instrumentos relacionados, mas negociados em mercados e estruturas diferentes. Os próximos dados de volume e de investidores ajudarão a mostrar se a expansão observada em 2026 se mantém.