O Banco Central revisou o déficit em conta corrente de 2025 de US$ 66,7 bilhões para US$ 67,4 bilhões, uma piora de US$ 700 milhões em relação ao cálculo anterior. A atualização também alterou a proporção do saldo negativo em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e os dados de investimento direto, além de elevar o déficit acumulado nos sete primeiros meses de 2026.
Serviços ampliaram o saldo negativo em 2025
Uma das principais mudanças ocorreu na conta de serviços, que reúne pagamentos e recebimentos relacionados a atividades como viagens, transporte e serviços empresariais. O déficit dessa conta passou de US$ 50,6 bilhões para US$ 52,2 bilhões, aprofundamento de US$ 1,6 bilhão na comparação entre as apurações.
Na renda primária, que inclui pagamentos e receitas associados a investimentos e trabalho, houve movimento no sentido contrário: o déficit foi revisado de US$ 81,3 bilhões para US$ 80,4 bilhões, redução de US$ 900 milhões. As mudanças em diferentes componentes ajudam a explicar por que a revisão do resultado total foi menor do que a alteração registrada na conta de serviços.
Déficit passou a representar 2,96% do PIB
Com a atualização, o déficit em conta corrente de 2025 equivale a 2,96% do PIB, ante 2,93% na estimativa anterior. A alta foi de 0,03 ponto percentual. O indicador relaciona o saldo das transações do país com o exterior ao tamanho da economia e permite comparar o resultado externo com a produção nacional.
As transações correntes incluem o comércio de bens, serviços e rendas, além de transferências entre países. Um déficit significa que, no conjunto dessas operações, os pagamentos ao exterior superaram as receitas recebidas. O número, isoladamente, não mostra como o país financiou essa diferença: para isso, também é preciso observar os fluxos de capital.
Investimento direto também foi revisado para cima
O BC elevou de US$ 77,7 bilhões para US$ 85 bilhões a entrada de investimento direto no país (IDP) em 2025. A nova estimativa é US$ 7,3 bilhões maior que a anterior. Como proporção do PIB, o IDP passou de 3,41% para 3,73%.
O investimento direto representa recursos ligados a participações duradouras em empresas e negócios no Brasil. Ele é diferente de aplicações que entram e saem rapidamente em busca de ganhos financeiros. A revisão indica que o fluxo registrado foi maior do que se calculava, mas não elimina o déficit das transações correntes: são medidas distintas das relações econômicas com o exterior.
Déficit de janeiro a julho de 2026 subiu para US$ 38,5 bilhões
Nos sete primeiros meses de 2026, o déficit acumulado em transações correntes foi revisado de US$ 36 bilhões para US$ 38,5 bilhões, aumento de US$ 2,5 bilhões. No mesmo período, a entrada líquida de investimento direto avançou de US$ 54,4 bilhões para US$ 57 bilhões.
O superávit da balança comercial de bens, que registra exportações menos importações de mercadorias, recuou de US$ 43,2 bilhões para US$ 42,1 bilhões. O BC atribuiu essa revisão à atualização das estatísticas compiladas pela Secretaria de Comércio Exterior. Também foram ampliados os déficits em serviços, de US$ 32,7 bilhões para US$ 33,5 bilhões, e em renda primária, de US$ 49,6 bilhões para US$ 49,9 bilhões.
O que os números mostram para os próximos balanços
O quadro revisado combina um déficit corrente maior com uma estimativa mais alta de investimento direto. Para acompanhar a posição externa brasileira, portanto, não basta olhar o saldo negativo isoladamente: é necessário observar também a origem e a evolução dos recursos que entram no país. As estatísticas revisadas não significam, por si só, uma mudança imediata nas condições de vida ou nos preços pagos pelos consumidores.
O BC também reduziu a estimativa do déficit em conta corrente acumulado em 12 meses até julho de 2026, de US$ 62,9 bilhões para US$ 61,8 bilhões. No mesmo intervalo, o IDP foi revisto de US$ 88,4 bilhões para US$ 86,8 bilhões. Esses dados ajudam a comparar a trajetória recente com o resultado anual de 2025 e serão acompanhados nas próximas divulgações sobre o setor externo.
