Banco Central do Brasil e Banco Central Europeu estudam integrar o Pix à plataforma europeia de pagamentos instantâneos TIPS, em uma iniciativa que pode abrir o primeiro corredor internacional do sistema brasileiro. A conexão permitiria avaliar transferências mais rápidas e diretas entre Brasil e Europa, mas ainda depende de estudos técnicos e regulatórios; um projeto-piloto poderá ser lançado em 2028.

Como funcionaria a conexão entre Pix e TIPS

O TIPS, sigla em inglês para Serviço de Liquidação de Pagamentos Instantâneos do sistema europeu, é a infraestrutura usada para processar pagamentos imediatos em euros. O Pix, por sua vez, permite transferências em tempo real entre contas mantidas no Brasil, inclusive fora do horário bancário tradicional.

Uma eventual integração não significaria simplesmente usar o Pix em euros. Seria necessário conectar as duas infraestruturas, definir como ocorrerá a conversão entre o real e a moeda europeia, estabelecer padrões de segurança e cumprir regras de prevenção a fraudes e lavagem de dinheiro.

Projeto ainda está em investigação preliminar

O BCE confirmou que existe uma investigação inicial para explorar a possível interconexão entre o TIPS e o Pix. Em junho, a instituição havia classificado o sistema brasileiro como um “corredor de moeda em fase de exploração” para sua plataforma.

As discussões envolvem as equipes técnicas dos dois bancos centrais, que analisam a viabilidade da operação. Uma das fontes afirmou que o piloto pode começar em 2028 caso o cronograma avance, mas não há decisão final nem garantia de que a conexão será implementada.

Por que o Pix despertou interesse internacional

Lançado no fim de 2020, o Pix se tornou o principal meio de pagamento instantâneo do Brasil e ampliou o acesso de dezenas de milhões de pessoas ao sistema financeiro. Para os comerciantes, o custo das transações é significativamente menor do que o de muitos pagamentos feitos pela cadeia tradicional de cartões.

O Banco Central informou no mês passado que avaliava conexões entre o Pix e sistemas semelhantes no exterior. A autoridade brasileira já assinou acordos de compartilhamento de informações sobre o sistema com 65 contrapartes estrangeiras, movimento que pode facilitar futuras discussões técnicas e regulatórias.

Disputa sobre o Pix também tem dimensão internacional

O avanço do sistema brasileiro ocorre em meio a uma disputa política e comercial com os Estados Unidos. O governo de Donald Trump classificou o Pix entre as chamadas práticas desleais usadas para justificar, em julho, tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros.

A expansão internacional do sistema também aparece nas discussões de países emergentes sobre reduzir a dependência do dólar. Uma conexão com a Europa, porém, não eliminaria o câmbio nem os riscos associados à conversão entre moedas: esses fatores continuariam influenciando o valor final das transações.

O que pode mudar para usuários e investidores

Se for aprovada, a integração poderá facilitar pagamentos de brasileiros em viagens, transferências para familiares e operações de empresas com parceiros europeus. A redução de intermediários pode diminuir custos e prazos, mas os efeitos concretos dependerão das tarifas cobradas pelas instituições, das regras de câmbio e do alcance do projeto.

Por enquanto, o anúncio representa uma etapa de avaliação, e não uma mudança operacional no Pix. O próximo passo será verificar a viabilidade técnica e regulatória da conexão; só depois poderão ser definidos o formato do piloto, os países envolvidos e as condições para uma eventual expansão.

Impacto para a sociedade

A eventual conexão poderá facilitar pagamentos e transferências entre brasileiros e pessoas ou empresas na Europa, com menos intermediários e potencialmente menor custo. Não há mudança imediata para usuários do Pix: a integração ainda está em fase preliminar e um projeto-piloto só poderá ser lançado em 2028.